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A infância nossa de cada dia

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Dias atrás recebi um e-mail com o assunto: “Se você já teve algum desses, você está ficando velho”. Eu, praticamente à beira das 25 velinhas no bolo, abri, com medo de precisar de um creme anti-idade. Os muitos arquivos .jpg não só fizeram com que eu encomendasse um potinho do creme da Avon, como me levaram para uma infância simples e feliz, com cheiro de giz de cera e gosto de Danoninho.

O gravador Gradiente, o Pense bem, os chocolates Surpresas que vinham com um cartão sobre algum animal – na época do primeiro filme da série Jurassic Park, Tiranossauro Rex e Velociraptors escondiam-se por baixo da gostosa barrinha – os Lango-langos, os iô-iôs da Coca-cola, o Super Trunfo, o Aquaplay, a Super máquina, o Topo Gigio e o Atari. Ah, o Atari!

E o que dizer dos desenhos animados, dos seriados, dos filmes ou ainda das roupas? Ou vai dizer que não sente saudades de ouvir a trilha sonora de “Anos Incríveis”, de ver Tutubarão, Caverna do Dragão, Jaspion e Thundercats na TV, tomando Nesquick de morango, de ver Goonies e ficar com vontade de comer chocolate?

Eu só não tenho saudades das ombreiras e meias soquetes.

Era uma época boa, essa. Não que hoje também não seja – sou muito feliz com minha Wii guitar, obrigada – mas lembrar de como e de quanto nos divertíamos com uma simples, e hoje boba, brincadeira de pular num treco de plástico que parecia um disco voador.

Isto não tem preço!

Eis que surge o Project Natal para Xbox 360 – leia a matéria do Guilherme Costa e morra de raiva por ter acabado de comprar um Nintendo Wii – para destruir com a nostalgia da criançada que já nasceu conectada em 30 Mpbs.

Fico imaginando o que os adultos nascidos no século XXI vão dizer sobre suas infâncias. “Putz, lembra quando não havia teletransporte e a gente tinha que jogar videogame no Project Natal, fingindo que estávamos na F1?”. Ou “Nossa, e aquela Enterprise tosca do J.J. Abrams, hein?! Que época!”.