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Resenha | Rio

7

A gente não é besta e morre de desconfiança cada vez que aparece um olharzinho gringo sobre o Brasil, porque tá todo mundo escaldado demais da conta com a overdose de clichezões que produtores e diretores levam pras telas de todos os tamanhos. Então aí a gente fica doido da vida e aponta, com razão, a ignorância das criaturas do Hemisfério Norte sobre o nosso país (mais alguém se lembra do filme do Mr. Magoo em que numa cena ele está no Rio e na seguinte ele aparece nas cataratas do Iguaçu?).

Carlos Saldanha

Ouvi gente falando que Rio, animação da Blue Sky dirigida por Carlos Saldanha, da série A Era do Gelo, era mais um desserviço à imagem do país no exterior por mostrar mais favela, samba, carnaval, praia, floresta; em suma, mais do mesmo. Não concordei não.

Vamos pensar: o filme não é brasileiro, certo? É de uma produtora estrangeira, escrito pelo diretor e por um roteirista gringo (Don Rhymer, de…ohmygod, da série Vovó…zona). É formatadinho bonitinho não pra você, brasileiro crítico, gostar, mas é pro grande público norteamericano curtir.

Não dá pra não pensar que teremos pela frente uma Copa e uma Olimpíada, então é interessante que alguma boa imagem sobre o país transite pelo mundo (a coincidência triste é que o filme foi lançado um dia depois do massacre de Realengo).

Dito isto, vamos ao filme: Blu é uma das duas últimas ararinhas azuis da espécie e vive com sua dona numa cidadezinha gelada de Minnesott; ele chega até lá depois de ser apanhado ainda filhote por um traficante de aves e escapa de ser vendido graças a um acidente. Um pesquisador brasileiro vai até os States para convencer Linda, a dona de Blu, de que ele precisa vir até o Brasil se acasalar com a fêmea Jade para que a espécie se reproduza.

Então eles chegam ao Rio de Janeiro em pleno Carnaval e vivem aventuras muito loucas com uma turminha da pesada e precisam escapar de (mais uma vez) um grupo de comerciantes canalhas de aves silvestres. Blu tem pela frente o grande desafio de aprender a voar, aceitar sua natureza de criatura da floresta, e para isso conta com a ajuda de Jade, de outros pássaros como o tucano Rafael, e do buldogue Luís. Preciso contar o final?

O que tem de errado no filme? Nada: a história é simples e eficiente, ele é bem-feitinho, é colorido, é agitado (a primeira sequência é um número musical bem bonito), a trilha sonora é bacaníssima e tem Carlinhos Brown, Bebel Gilberto, Sérgio Mendes misturados a intérpretes internacionais. Blu não chega a ter o carisma do Scratch, mas o grupo todo de animais/protagonistas é muito divertido.

Os clichezões estão todos lá (incluindo as brincadeiras clássicas sobre gringos ao sol, gringos sambando) mas não soam pejorativos.

Se puder, veja a versão legendada, mas a dublada não dói nos ouvidos (até faz sentido um filme passado no Rio, com personagens brasileiros, falando português, claro). Jesse Eisenberg, de A Rede Social, dubla Blu na versão original e Rodrigo Santoro dubla o biólogo Túlio nas duas versões  (convenhamos, muito melhor do que colocar vozes marcantes demais – Luciano Huck em Enrolados foi uma escolha pra lá de ruim, só não fui embora porque não dava mesmo e amaldiçoei cada segundo passado no cinema com a voz do sujeito na orelha. Por mim podia ter dublado os relinchos do cavalo).

Isso aí então. Eu gostei, meu lindo companheirinho de quase 4 anos gostou também. Vá pra se divertir, porque Rio vale o ingresso.

Nota: 10
  • Só uma correção, o Rodrigo Santoro não dubla o personagem Blu na versão original, quem fica responsável por isso é o ator Jesse Einsenberg, que também atuou em a Rede Social.

  • Deh

    Verdade Ed, mancada minha. Obrigada!

  • Maria

    Quero ver….

  • Mayumi Ito

    O Rodrigo Santoro dublou o biologo Tulio, e nem foi na versão brasileira, foi na versão americana, porque ele é um dos atores brasileiros mais conhecidos la fora. Assisti a versão dublada e amei =) Apesar de achar que os dubladores do Pedro e do Nico em português não tem nada haver com o Will.I.Am nem com o Jamie Foxx…

  • Mayumi Ito

    Quem dublou o Blu na versão brasileira, foi o Gustavo Pereira, o mesmo dublador do Nemo, em Procurando Nemo. Quem dirigiu a dublagem foi o Guilherme Briggs, que também participou da dublagem, como Nigel. As musiquinhas são contagiantes.

  • Leo Lira

    Rodrigo Santoro Dublou o Tulio na versão americana e brasileira…

    Já sobre o filme, eu o achei bom, mas dificilmente ganha o Oscar, visto que vem carros 2 por aí…

  • Deh

    Mea culpa, mea maxima culpa, vou ali corrigir as barbaridades, afff. #vergonha