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Resenha | O Besouro Verde – preguicinha numa sala de cinema quase vazia

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Menos de 30 pessoas na sala de cinema para projeções em 3D da gloriosa Bauru. Domingo, 22:00. Uma pipoca, uma fanta uva e uma espectadora que sabia nada sobre o filme, fora o fato de que ele era remake de uma série de rádio que depois virou seriado televisivo (eu me lembro da minha mãe mencionando o seriado dos anos 1960, aquele que tinha o Bruce Lee) e que o protagonista era o Seth Rogen, aqueeeele gordinho que andou fazendo umas comédias.

Na verdade o Rogen produziu e escreveu o roteiro do filme, que, segundo o IMDB me informa, teve outros diretores e protagonistas cotados, até cair nas mãos do francês Michel Gondry (do Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças).

Aí aproveitou, perdeu vários quilos, malhou bastante e  entrou no filme como o playboyzinho Britt Reid, filho do dono de um jornal influente de Los Angeles, que leva a vida só na farra, só na folia e na base do conflito com o pai. Mas aí um belo dia o pai morre e ele fica com o mico na mão: o que fazer com o jornal, o que fazer da vida?

Reid então conhece Kato, o mecânico chinês de seu pai (muito bem descrito como “canivete suíço humano”), e em um momento de bobeira, por acaso, resolvem se tornar uma dupla de “justiceiros”. Pra alavancar a popularidade da dupla, Reid acaba apelando pro jornal e consegue colocar seu alter ego, o Besouro Verde, nas manchetes. A pancadaria começa a comer solta, até que esbarra no rei do crime da cidade, Benjamin Chudnofsky, que bota a cabeça de Reid e Kato a prêmio.

Tá, gente, é basicamente isso, viu?

Nah, tô brincando. Pra ser bem honesta passei a primeira meia hora de filme com aquele pontão de interrogação na testa, pensando se eu não tava perdendo alguma piada, algum pormenor, porque achei os diálogos lamentáveis, a atuação de todo mundo canastríssima (incluindo de James Franco, que faz uma pontinha não-creditada, e de Christoph Waltz, que encarnou um Chudnofsky sem se despir dos trejeitos do Coronel Landa, de Bastardos Inglórios – uma pena), a história clichezíssima.

Uma vergonha. Senti saudade do Tony Stark, do Peter Parker e até da Mary Jane, que acho uma lástima.  Pra não dizer que nada chamou a minha atenção, eu achei interessantinho um diálogo bem do começo, quando o Chudnofsky aparece na sala do Danny Clear (James Franco), que quer ser rei do crime de LA, e o Clear desanca o Chudnofsky: chama de ultrapassado, caído, brega, malvestido – ele é um sujeito old fashioned no pior sentido, e precisa dar lugar pra quem é moderninho. O filme tenta fazer exatamente isso, repaginar e atualizar um heroi old fashioned, um clássico.

Do meio pra frente o filme parece que deu uma engrenadinha, ou talvez essa impressão me assaltou porque começou a ficar claro pra mim que o filme era pra ser engraçadinho! Eu lá esperando aquele toque noir no filme, e era pra ser tudo cômico, tava lá o Seth Rogen pra não me deixar bobear – achei que o timing dele e do Kato pra comédia vai melhorando com o avançar dos minutos. Talvez a ação toda tenha me distraído um pouco; as cenas de luta são bacaninhas, as traquitanas tecnológicas são bem legais também.

Pra levar a opinião do filme na base do Pollyanna way of life, eu diria que ele pode ser encarado no final das contas como uma homenagem ao Bruce Lee, o Kato da versão dos sixties: o partner do Besouro Verde leva o filme nas costas; além disso, quando o caderno de desenhos do mecânico aparece a gente pode ver esboços mostrando o sujeito numa daquelas poses clássicas; em outra cena Kato treina gestos de luta dentro do carro e faz aquele “opa, pode vir” com a mão.

Bom, mas agora é isso, tá? Assista se estiver desencanado(a), se estiver sem outra coisa pra ver, se for muito fã do gênero. Vai ver eu não sou público-alvo do filme, sei lá. Mas não fiquei fã não.

Ah sim, a musiquinha famosa (aquela, que aparece no Kill Bill) toca nos créditos.

Nota: 6,0