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Resenha | Prometheus

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Alguns anos atrás fora anunciado um novo projeto do diretor Ridley Scott e que se trataria de um prequel de sua própria obra, Alien de 1979 (ou Alien, o 8º Passageiro), e com a onda de remakes, reboots, sequências ou pré-sequências marcando a definitiva falta de originalidade e criatividade no mercado cinematográfico, a decisão do mesmo foi posta em cheque para os já escaldados fãs do gênero.

O estilo visual de Giger está de volta!

Não se tratando de um simples profissional da área cujo maior objetivo é tornar seu produto vendável, todas as suposições geradas até então se voltaram em apostas positivas visto que Ridley Scott, não consegue resultados iguais como já confirmado ao longo de sua carreira, e com certeza optaria por uma saída inteligente para que o óbvio não estivesse presente em seu trabalho dando a luz o então muito aguardado Prometheus, filme que marcaria não só o retorno de Scott ao gênero ficção mas ao seu próprio universo criado em Alien, logo no início de sua carreira.

Aproveitando todos os elementos criados em seu filme de 1979, desde os prévios conceitos da tecnologia empregada na mitologia do universo “alien” pelo humanos, até o visual alienígena presente, Ridley Scott criou o seu ponto de partida há mais de trinta anos para o seu trabalho de hoje, resultando assim em algo visualmente atrativo e cujo roteiro nos desse um vislumbre do que já era conhecido trabalhando em prol da genialidade dos cineastas envolvidos.

Fassbender entre os efeitos visuais de tirar o fôlego

Assim é o caso de Prometheus, nova investida de Scott nos cinemas, trazendo novamente um thriller de terror e ficção dentro do gênero da ficção científica como há muito não se fazia.

No ano de 2089, após várias descobertas arqueológicas por todo o globo onde várias culturas extintas indicavam um mesmo sistema estelar através de suas respectivas manifestações de arte rústica como pinturas e esculturas, mesmo nunca tendo se encontrado em algum ponto da história, faz com que um grupo de cientistas aliados aos recursos da companhia (até então somente conhecida  por) Weyland Corp vão além de sua mera curiosidade atrás de respostas da origem e propósito do homem, decidindo-se então formar uma expedição para os confins mais perigosos do espaço embarcando na nave Prometheus. Mas em sua busca pelo início da vida como conhecemos, eles podem encontrar o fim de tudo.

A Prometheus

A história, cercada de mistérios e com a reciclagem muito bem realizada de todo o universo já existente a mais de três décadas, levam os personagens para o planeta LV-223 (mesmo sistema de LV-426 de Alien o oitavo Passageiro) atrás de um possível contato com vida inteligente fora da terra. Os cientistas Elizabeth Shaw e Charlie Holloway (Noomi Rapace e Logan Marshall-Green) ao lado do humano “sintético” David (Michael Fassbender), e dos capitães Meredith Vickers e Janek (Charlize Theron e Idris Elba) mergulham em ambientes estranhos e claustrofóbicos, atrás de suas tão esperadas respostas.Como vem acontecendo nos últimos anos, o super requisitado Michael Fassbender (300, X-Men Primeira Classe, Um Método Perigoso) volta a ser destaque neste filme como David, mais uma réplica sintética humana com uma segunda agenda secreta em sua programação mandando muito bem no lugar antes ocupado por Ian Holm, Lance Henriksen e Winona

A equipe liderada por Rapace

Rider. O segundo lugar mais em destaque está Noomi Rapace como a líder da exploração no qual o público viaja junto a sua jornada de estranhas descobertas em lugares aterradores. Infelizmente dada a natureza do papel, a bela Charlize Theron tem sua presença apagada na pele da rígida e implacável capitã Meredith Vickers. Finalizando, o longa ainda conta com Idris Elba, o piloto designado para nave Prometheus e Guy Pearce no papel de Peter Weyland, dono e fundador da Weyland Corp.

Theron como a capitã Vickers

Prometheus, explora muito mais os ambientes e criaturas alienígenas graças aos conceitos criados anteriormente pelo artista plástico H.R. Giger (em Alien), dado as suas características biomecânicas e perturbadoras em todo traçado associado a cultura não humana, e no que diz respeito a todo estilo visual do longa, trabalha em plena sintonia entre os velhos sets, criaturas e toda a tecnologia disponível nos dias de hoje nas produções cinematográficas. Méritos da Weta Digital que se encarregou de todo o setor de efeitos visuais capaz de transpor décadas de um visual clássico com o que há de mais moderno na tecnologia de geração de imagens computadorizadas andando lado a lado com outro elemento fundamental na imersão deste universo, a trilha de Marc Streintenfeld(presente também em outros trabalhos de Ridley Scott como Robin Hood, Rede de Mentiras e O Gangster) que nos faz mergulhar a fundo no suspense a cada guinada não usual de suas composições.

Revelado o segredo do Space Jockey?

No que diz respeito a tecnologia 3D em sua exibição, Prometheus foi originalmente filmado assim, não sofrendo as agruras das insatisfações dos longas meramente convertidos, enfim trazendo até o seu público, uma ficção científica digna da modernidade das salas de cinema de hoje. Em contra ponto, a ótima profundidade do filme não compensa a falta de luminosidade presente na excelente fotografia dark do filme que somente é agravada pelas lentes escuras dos óculos 3D.

Mas enfim, métodos de exibição são meros detalhes em mais uma obra exemplar de ficção científica realizada por Ridley Scott. O público que comparece em função do filme Alien de 1979, por vezes será pego ligando os pontos entre o vão de 33 anos de um filme para o outro. O terror e o suspense voltam em definitivo a assombrar a ficção científica  em Prometheus cujo elenco incorpora um grupo que está determinado em arriscar a sua própria existência  ao revelar os segredos de nossas origens fazendo cortinas caírem, respostas surgirem e uma nova gama de questões a serem levantadas.

Nota: 8,5