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Resenha | 007 Contra Spectre

O 007 das antigas está de volta e pronto para o novo mundo.
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Review

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09/11/2001 é uma data conhecida por todos e talvez foi considerada como o maior marco que fez o

MI6: Q, Moneypenny, Bond e M.

MI6: Q, Moneypenny, Bond e M.

mundo todo repensar em como vivia as suas vidas e principalmente como o ocidente desfrutava sua liberdade e indo um pouco mais além, como o cinema, que muitas vezes nada mais é do que um reflexo romantizado da própria vida, tomou a decisão de olhar mais além e com muito cuidado fazendo com que decisões fossem tomadas com mais reflexão.
Entre muitos obras do cinema, uma das afetadas foi a franquia 007, que assim como os eventos de 09/11, foi fruto (direto ou indireto) do longo período da guerra fria entre as potências da época.
A mais longa série de filmes que andava de vento em popa até o final dos anos 90 e que mesmo tendo passado por uma recente reformulação graças as mudanças do mundo ocorridos na última década foi obrigada a mais uma vez repensar seus próximos passos. A produção, sem a menor ideia de como seguir adiante dado os atuais acontecimentos, decidiram dispensar o até então ator em vigência para o agente James Bond, Pierce Brosnan, e propuseram um hiato em prol de um novo direcionamento, novas ideias e é claro, um novo rosto para o agente secreto 007 que representasse todos estes ideais.

007 Versão Dia de Los Muertos.

007 Versão Dia de Los Muertos.

A produtora Barbara Broccoli ao lado de seu irmão de criação e parceiro Michael G. Wilson, seguiram o conselho de seu saudoso pai e fundador Albert “Cubby” Broccoli. Quando tiveram dúvidas, voltaram os seus olhos novamente para a obra original. Os livros de Ian Fleming.
Depois de uma longa guerra judicial que se estendia desde os anos 60, os direitos do primeiro livro de 007 (Casino Royale) para os cinemas voltam para as mãos da Eon Productions e mesmo sob muitos protestos de fãs e cineastas a escolha de Daniel Craig perdurou até os dias de hoje, passou pela celebração de 50 anos de 007 nos cinemas e é provável que encerre com chave de ouro e com a casa em ordem em seu mais novo episódio para os cinemas, 007 Contra Spectre.
“Um nome do passado do agente James Bond ressurge em uma das suas investigações ligando todos os eventos desde Casino Royale com a organização criminosa SPECTRE.

Mais um veículo pra conta do MI6.

Mais um veículo pra conta do MI6.

Em paralelo com a aventura de 007, o trio M, Q e Moneypenny lutam para que o MI6 não se torne obsoleta diante as novas políticas de segurança e que o programa “00” não seja encerrado.”
Quando se menciona 007 é inevitável não lembrar de todos os fatores que fizeram desta a mais rentável e longeva saga de filmes. Fatores que ao lado da nova investida em SPECTRE, se resume em uma única palavra. Tradição.
E James Bond não sobrevive sem a tradição.
Casino Royale e Quantum of Solace, se desprenderam de várias amarras em nome da inovação, e da reestruturação do personagem e suas histórias, mas os velhos elementos sempre estiveram lá, latentes, dormentes até, mas não inexistentes.
Skyfall de 2012, reapresenta o “tradicional” para o “atual” e se descobre que ambos podem coexistir de maneiras verossímeis mas ainda assim somente nos garante uma pequena amostra disso sem revelar muito mais.

Bautista. O gigante Hinx.

Bautista. O gigante Hinx.

Em Casino Royale de 2006, o personagem “surge” mais cru e inexperiente diante das dificuldades enquanto quase 10 anos depois é mostrado um James Bond mais seguro de si, onde o perigo nunca é considerado iminente o suficiente para abater os ânimos de 007.

A exemplo de todos os seus antecessores, Spectre explora locações exóticas e distantes, levando o personagem desde o “calor humano” do México, às gélidas paisagens austríacas e até o clima requintado das velhas Roma e Londres. Cada qual tendo seus ambientes diferenciados pela fotografia do filme auxiliada é claro pelas sempre ótimas sequências de ação que mais uma vez tiram o fôlego da audiência mantendo a reputação de todo filme de 007.

Uma das decisões mais acertadas, e que diga-se de passagem, provavelmente influenciada pela excelente

Waltz é Oberhauser e algo a mais!

Waltz é Oberhauser e algo a mais!

performance de Judy Dench (M) e da simpatia de Naomi Harrris (como Moneypenny) em Skyfall, foi de dar mais peso aos papéis secundários dos personagens que além de Bond, sempre nos acompanharam durante toda a série de filmes, indicando aqui, mais um passo positivo rumo a evolução de 007 nos cinemas. Podemos conferir os personagens M, Q e Moneypenny em missões paralelas, valorizando nomes no elenco como Ralph Fiennes, Ben Whishaw e a já mencionada Naomi Harris.

Ainda no elenco, o roteiro ao lado da direção afiada de Sam Mendes, se deram o gosto de voltar a explorar velhos clichês da franquia como o vilão falastrão “Oberhauser” a cargo de Christoph Waltz, marcado como o vilão de estimação do público fã das obras de Quentin Tarantino, além do capanga brutamonte e monossilábico Hinx, que ficou para Dave Bautista, que também anda caindo nas graças do público devido a sua reputação nas lutas de Wrestling no WWE, sem mencionar nas suas aparições nas produções em Hollywood, que entre as mais populares se encontra Guardiões da Galáxia dos Estúdios Marvel/Disney.

SPECTRE_Swann

Léa Seydoux é Madeleine Swann

Já do lado das Bondgirls, infelizmente não temos uma participação ampla das mesmas durante a projeção. Infelizmente, o papel destinado a Monica Bellucci é limitado em tempo e performance pela natureza da personagem e pela sua função dentro da história. Com Léa Seydoux, conhecida pelas tórridas cenas de romance em “Azul é a cor mais quente”, marca presença como Madeleine Swann, e que apesar de abocanhar uma fatia maior de projeção pela sua importância, tem participação tardia e aparições espaçadas, mas ainda assim, é uma agradável adição ao elenco e e uma excelente companhia para o público.

Outro dos fatores que deixaram a desejar, foi a já tradicional música da sequência de abertura que desta vez ficou na responsabilidade do novato Sam Smith com o tema Writing’s on the WallDesde a retomada da franquia com Daniel Craig como Bond, sempre se apostou em sangue jovem para as aberturas como por exemplo Chris Cornell, Jack White e Alicia Keys nos dois primeiros longas, e na escolha de Sam Smith chega

Bellucci e Seydoux

Bellucci e Seydoux

ser nítida que a produção quer voltar a ter uma “pegada” mais clássica acompanhando a evolução da história do personagem e principalmente no intento de repetir o sucesso de Adele com Skyfall, mas que óbvio, infelizmente não ocorre mesmo com a abertura sendo de muito bom gosto.

007 contra Spectre acerta em muitos aspectos, desde a direção, as cenas de ação, fotografia ou na certeira trilha de Thomas Newman que reprisa sua participação e principalmente no que se diz respeito a rimas visuais e cenas que carregam mais significado do que aparentam ter, talvez aqui, um grande mérito do diretor Sam Mendes, que ao revisitar a série pela segunda vez, desafia aos mais atentos ao dizer com imagens apenas que o novo dá lugar ao velho mas que o espírito é o mesmo e que sempre esteve presente.

  • Filipe MacLeod

    Otima resenha, o filme é muito bom, mas realmente apresenta alguns pontos que depreciam o andamento da história, depois da empolgante sequência de início, a música da uma quebra de qualidade que realmente tira um pouco da empolgação, claro que se comparar á Adelle é uma tarefa bem complicada. Vale ressaltar a participação de dois conhecidos de séries como o Andrew Scott que viveu recentemente o Prof Moriart na série Sherlock e o Rory Kinnear que vive o monstro de Frankenstein em Penny Dreadfull, esse por sinal fazendo algo muito diferente do que estamos acostumados, enfim é um filme com um pé muito forte no clássico mas se mantendo atualizado… Vale a pena!

  • Sr.Sombrio

    Se for tão “bom” quanto o Skyfall, vou achar uma merda.