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Resenha | Até que a Sorte nos Separe 2

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A matemática é simples: pegue roteiristas da TV, adicione atores consagrados na mesma, junte isso tudo numa panela com 90 minutos de cozimento e tempere com graúdos recursos da Lei Rouanet. O comediante Leandro Hassum foi – junto com outras dezenas da área, destacadamente Bruno Mazzeo entre eles – um dos beneficados dessa safra. Mas será que o público se beneficia desse prato?

Sai Danielle Winits e entra Camila Morgado para o mesmo papel (Jane)

Sai Danielle Winits e entra Camila Morgado para o mesmo papel (Jane)

Não.

Até Que a Sorte nos Separe – o primeiro – tinha uma premissa simples: uma família de classe média ganha na loteria (e eu já tentei olhar todos os resultados da Mega Sena para ver se acho uma tendência e ganho também, mas parece muito possível) e depois perde tudo. Acaba sendo ajudado por um tio – vejam só, interpretado pelo jurássico diretor do Zorra Total, Maurício Sherman. Agora o enredo é outro: o tio morre e deixa tudo para Jane, agora interpretada por Camila Morgado. Contudo, a herança tem um encargo: que suas cinzas sejam jogadas no Grand Canyon, nos Estados Unidos. É óbvio que a proximidade dessa maravilha da natureza com Las Vegas seria o argumento que o filme precisaria para repetir exatamente a mesma história do primeiro – ganha-se dinheiro, perde, alguém ajuda.

Impossível ser mais pastelão do que isso, não?

Impossível ser mais pastelão do que isso, não?

Há pontos positivos? Há. Primeiramente a atuação de Camila Morgado em substituição a Danielle Winits – que estava gravando a novela Amor à Vida. Outro notável ponto positivo é a participação de Jerry Lewis (ícone das comédias, sobretudo em O Professor Aloprado (1962) e O Rei da Comédia (1982)). Curiosamente ou não, é desse mal que Até que a sorte sofre.

A participação de Jerry Lewis, comediante americano, é um dos pontos altos do longa

A participação de Jerry Lewis, comediante americano, é um dos pontos altos do longa

O filme parece ter um enredo pastelão demais, típico de filmes que eram reprisados na Sessão da Tarde nos anos 90. Aliás, ele lembra – e muito – uma releitura de Férias Frustradas em Las Vegas – a temática da família e até algumas cenas lembram muito. O problema pode estar (como em diversas produções brasileiras) na falta de tempo para lapidar o filme na pós produção e no roteiro. O roteiro, de autoria de Paulo Cursino (que já trabalha há anos com Leandro), foi escrito em apenas 5 meses.

De resto, espere mais do mesmo do filme dirigido por Roberto Santucci. Hassum é engraçado pela própria natureza – isso é digno de nota – e não precisa necessariamente do texto para transmitir isso (como Bruno Mazzeo necessita em abundância). É uma comédia leve, pastelão e que te fará sentir como se você tivesse assistido um humorístico global de 90 minutos. Ah sim, em tempo: a participação especial de Anderson Silva é apenas um chamariz. Ele continua sendo um bom lutador de MMA enquanto ator.