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Resenha | Bastardos Inglórios

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Resenha | Bastardos Inglórios

Quentin Tarantino realmente sabe deixar a sua marca nos filmes que realiza. Da violência praticamente gratuita e estilizada sempre precedida por diálogos afiados, intrigantes e curiosos, ao banho de sangue e mortes de fato. Com a mais nova obra, Bastardos Inglórios, não foi diferente.

Como de praxe, nas histórias que dirige, a narrativa é divida por capítulos, mas ao contrário de Pulp Fiction, referência mor do cineasta, o conto segue uma linha temporal contínua, ou seja, não há vai-e-vem, e particularmente foi em ordem cronológica que a produção foi gravada, fator raro em Hollywood.

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Christoph Waltz como Hanz Landa

O ponto forte de Tarantino, sem dúvida, é a interação e construção dos personagens, a começar pelo coronel Hans Landa (o ator Christopher Waltz), o ‘Caçador de Judeus’, apresentado em uma introdução tensa, ao dialogar com um homem suspeito de abrigar fugitivos judeus numa fazenda.

É o personagem que tem mais presença ao longo de uma hora e meia de fita.

O jeito como a câmera circunda os atores à mesa e a tensão na música de fundo – o maestro italiano Ennio Morricone compõe parte da trilha do filme- já prenunciam o massacre. De lá, a jovem Shosanna foge sendo a única sobrevivente.

Quatro anos depois a personagem é dona de um cinema em Paris, território controlado por nazistas, no auge da Segunda Grande Guerra, e sua beleza chama a atenção de Frederick Zoller (Daniel Brühl), que estrela uma película que reforça o poderio alemão frente aos inimigos de guerra.

Por ter reconhecimento de bravura dentre os militares alemães, ele consegue a chance de fazer a estreia desse mesmo filme no cinema da bela jovem, querendo em troca, obviamente, afagos da loira que não são correspondidos.

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Aldo Raine, vivido por Brad Pitt

Já os ‘bastardos’ formam uma divisão especial de soldados americanos e judeus que tem um objetivo somente: matar os nazistas, como o próprio tenente Aldo Raine (Brad Pitt) diz aos seus subordinados. A obsessão dele, reforçada pelo sotaque do Tennessee, ao falar sobre como adora identificar e matar cada nazista filho da mãe que puder é de um transtorno obsessivo compulsivo impagável!

Apesar de protagonista, não se engane: ele consegue ser tão doentio quanto os adversários, afinal, não é nada normal exigir cem escalpos de cada um dos soldados que comanda.

Se violência não lhe agrada, caro leitor, então a história certamente não é para você, já que é um dos mais violentos de toda a filmografia de Tarantino. A cena que justifica tal fato é quando um prisioneiro nazista é mantido sob o julgo do personagem de Pitt, e quando se recusa a ajudar os bastardos entra em ação o brucutu do sargento Donnie Donowitz, que também atende pela alcunha de ‘Urso Judeu’ (Eli Roth). Aqui, surge a violência gratuita, e até desnecessária, quando Donnie estoura a cabeça do prisioneiro de guerra com um bastão de beisebol.

Isso foi apenas o começo do que estava por vir, mas acalme-se, já que apesar de tamanha selvageria, este ocorre em momentos específicos, bem espaçados entre longos diálogos acompanhados de planos de câmeras primorosos.

Diane Kruger como Bridget von Hammersmark

Diane Kruger no papel de Bridget Von Hammersmark

A união dos caminhos dos bastardos e de Shosanna acontece justamente a noite no cinema na qual todos os grandes cabeças do Terceiro Reich estarão alocados. A atriz e agente infiltrada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) é o elo para fazer com que os soldados americanos tenham a chance de acabar com a guerra, executando o plano de matar Adolf Hilter.

Mas apesar da simplicidade do plano de Aldo, na prática, ele e os bastardos passam por poucas e boas, com um desfecho digno de aplausos.

Se for fã do diretor, não pode perder a forma como é conduzida a história e é lapidada a personalidade de cada um que brota na tela de projeção. Vá ao cinema ver testículos estourados, diálogos afiados, mortes insanas, escalpos, tiroteios e um Hitler histérico, ruborizado e respingando perdigotos ao ar, simplesmente porque Tarantino ainda é o cara!