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Resenha | Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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Sete anos se passaram e enfim chegou o grande momento que marca pela primeira vez nos cinemas, a conclusão de uma verdadeira saga de um dos mais aclamados super-heróis de todos os tempos com Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Desde a fatídica noite em que o promotor Harvey Dent morre vítima de seu próprio desequilibro como o Duas Caras, Batman sacrifica sua própria reputação em nome do bem estar de Gotham sendo declarado como um criminoso procurado pela força policial. Após estes fatos, é instituída a lei Harvey cujo objetivo é de cortar laços burocráticos com os direitos civil e penal, evitando que foras da lei ganhem liberdade após cumprir uma curta pena. Com a pesada limpeza feita nas ruas de Gotham, a presença do cavaleiro das trevas não é mais necessária. Passados oito anos desde sua ausência, uma nova ameaça se apodera do submundo de Gotham. Um novo desafio desperta o espírito inquebrantável do Cavaleiro das trevas, e com a ameaça da completa extinção de sua cidade junto com seus habitantes, novos e perigosos adversários virão ao seu encontro e enquanto novas alianças forem feitas, antigas ressurgirão. Mas nada virá sem sacrifícios.

Com um roteiro excelente contando com inúmeras adaptações de várias obras dos quadrinhos dos anos 90, dentre delas “A Queda do Morcego” cujos detalhes enriquecem a trama de maneira formidável fazendo-se uso de personagens e elementos que uma vez pertenceram a um mundo fantasioso como o grande vilão da vez, o terrorismo personificado Bane. Além do poço de Lázaro, também elemento das HQ’s, que ganha um conceito totalmente verossímil e fantástico, graças ao trabalho de roteiro e adaptação de David S. Goyer e Jonathan Nolan.

Para a nova e última investida de Batman pelas mãos de Nolan, parte de seu elenco é renovado com novos membros e seus personagens. Ao lado de Bale, Freeman, Oldman e Caine, Tom Hardy entra como o imponente Bane, marcando nas telas uma versão tão ameaçadora quanto à dos quadrinhos expressa por seu tamanho (no qual ganhou cerca de quinze quilos de massa muscular), seu olhar, sua linguagem corporal e pela modulação vocal que com certeza impõe temor no coração de Gotham. Anne Hathaway é responsável pela gatuna Selina Kyle, a ladra de bens e informações que ganha a alcunha de “A Gata” pela mídia local e que mesmo sendo de natureza dúbia, poderá representar um papel chave no futuro ameaçado da cidade. O elenco ainda é complementado por importantes personagens como o recém-nomeado detetive John Blake, papel feito por Joseph Gordon-Levitt e Miranda Tate de Marion Cotillard, também representando um ponto chave na trama do longa mas pouco convincente pela atriz responsável. Infelizmente, além da personagem de Cortillard, em nome de uma narrativa mais ágil, frenética e a exemplo do filme anterior, tensa ao extremo, vemos que muito dos personagens que nos conquistaram nos prévios sucessos da saga, tem suas participações radicalmente abreviadas para enaltecer o desenrolar do roteiro. Mas em compensação, temos a história muito enriquecida com um conto de sobrevivência e superação de Batman / Bruce Wayne através da incrível performance de Christian Bale que nós oferece um personagem autêntico e realista durante toda a sua jornada.

Junto aos seus novos aliados, Batman prossegue a aumentar seu arsenal conforme a ameaça cresce. Cenas de perseguição fantásticas sejam elas no asfalto ou aéreas, contribuem com composições em tela que ressaltam não só o “cenário” de Gotham, mas como também oferece possibilidades únicas na fotografia (ainda de Wally Pfister), que ao lado de efeitos visuais físicos e virtuais, compõe a essência desta história aterradora que deixa os expectadores constantemente na beira da poltrona.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge somente é vitima de sua própria grandeza. Talvez pela necessidade de Nolan deixar sua assinatura em algo tão pessoal como a sua franquia Batman ou pela história com um nível épico tão grande dando muito mais foco em Gotham City como um protagonista a parte ao lado de seus defensores que por vezes absorve personagens centrais importantes nos deixando a mercê e fragilizados frente ao “monstro” em que se tornou. Mesmo com participações limitadas pelos excessos de eventos catastróficos, Gary Oldman e Michael Caine tem espaço o suficiente para deixar suas marcas no lado emocional da história que ainda se faz uso de flashbacks advindos dos episódios anteriores da franquia que atam o público em um saudosismo prematuro diante da eminente conclusão da saga que nos enche de angústia ao passar de cada minuto em que realizamos que enfrentaremos inconformados um hiato de contos relevantes e personagens cativantes.

165 minutos de curiosidade, medo, superação e redenção que acompanhamos (ou acompanharemos) através não só da jornada de todos os presentes nesta história que se estende por três filmes, mas através de uma pseudo “Heroica” * realizada simplesmente para ecoar nos arredores de Gotham novamente com o alemão Hans Zimmer fazendo com que suas composições torne esta saga algo sem precedentes dentro de uma vasta quantidade de adaptações, sejam elas literárias ou não.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge representa sim um ótimo encerramento a franquia não só como filme, mas como também em sua exibição com o seu clima por vezes melancólico. Mesmo não sendo superior ao seu predecessor de 2008, nos rende uma experiência completa não só como adaptação de quadrinhos, mas como em sua forma de arte, que apesar de tudo, por vezes falhou em prol de uma história ágil com personagens um pouco mais superficiais. Em suma, Christopher Nolan e Cia nos ofereceram uma obra composta não só de cenas impactantes, personagens heroicos ou vilões convincentes, mas manteve um elemento que há muito nos faz falta graças aos interesses estritamente comerciais de grandes corporações do segmento, seja nós como parte do público casual ou como fãs de determinada obra. O Respeito.

*(3ª Sinfonia de Beethoven inicialmente dedicada a Napoleão Bonaparte)

E não deixe de conferir nossos reviews sobre os demais filmes do Homem-Morcego:


 

 

  • vinicius maciel

    Bela análise.

    Concordo sobre a qualidade das atuações de Gary Oldman e Michael Caine, eu quase chorei junto com Alfred no fim do filme.

    Eu discordo quando diz este filme é inferior ao de 2008. Acho que os dois são incrivelmente fantásticos, ma acho que o de 2012 leva uma pequena vantagem. Se eu fosse traduzir isto em notas acho que daria 9,5 para o de 2008 e 9,9 para o de 2012, ou seja, empate técnico. 🙂

  • vinicius maciel

    outra coisa, nota 1000 para Hans Zimmer.

  • Ótima crítica Oliver!

    Acho que a internet pedia pela sua opinião desse filme. Engraçado ver como você admite os erros do filmes, mas não os culpa pela 'nota baixa', diferente de VÁRIOS mimimi que surgiram pós-filme.

    Personagens são esquecidos ou deixados de lado sim, para que a história principal não se perca. Era a Queda do Morcego e a aparição de Bruce, e o que o milionário mais ama é a sua cidade, não importa o preço que ela cobra. E muita gente não entendeu isso, mesmo se dizendo fãs do morcego.

  • Victor Rodrigues

    Fantástica resenha, Oliver, como sempre muito ponderada e explicativa.

    Contu do, EM ALGUNS PONTOS, discordo da "conclusão épica", pois MAIS UMA VEZ não vi o BATMAN nos cinemas. Infelizmente, este "Batman" do Nolan não passa de um Steven Seagal. Encontrei rombos no roteiro, que existem na maioria dos filmes, INCLUSIVE NO FILME D'OS VINGADORES, mas saí com aquele gostinho de "ah, como queria ver o Batman do desenho da Liga nos cinemas". Pra mim, AQUELE é o Batman, e nem a rapidíssima adaptação da HQ "O Cavaleiro das Trevas" ("Fica frio, novato… Você está para ver um show!") salvou o filme de um "nhé…" ao final da sessão.

    E PRA NÃO DIZER QUE SOU MARVETE PIXANDO O BÁTIMA, assisti também a O Espetacular Homem-Aranha, e não gostei do personagem, apesar de melhor adaptado do que suas três versões anteriores (ele "enrolando" o Lagarto com teia, COMO UMA VERDADEIRA ARANHA, foi legal!)

    No mais, é aguardar pra ver COMO e SE o longa da Liga sai, se vai ter Batman e se vai prestar.