Um site que não é lá.

Resenha | Django Livre

0

Quentin Tarantino já faz parte do rol de diretores cujo trabalho previamente anunciado já levanta olhares da mídia, fãs e demais Django_Banner_waltzinteressados sobre a produção mesmo ainda estando em estágio embrionário e com Django Livre não foi diferente.

Desde a exibição de Bastardos Inglórios nos cinemas o seu próximo projeto era alvo de constantes especulações e grandes expectativas e agora que a sua estréia enfim se consumou, desfilaria este como mais um dos seus conhecidos petardos cinematográficos?

A grande verdade é que não.

Definitivamente não se pode comparar Django Livre aos seus longas anteriores visto que Tarantino, apesar de sua linguagem conhecida ainda possui outras características conhecidas como por exemplo a experimentação.

Não contente em permanecer em sua zona de conforto, Tarantino opta por se aventurar em terrenos inexplorados ainda que ladrinhando o caminho a sua maneira.

Passado em um EUA cuja política escravagista ainda reinava, o longa inspirado nos clássicos western conta a história de uma inusitada parceria de um escravo e seu libertador, um caçador de recompensas alemão cuja empreitada juntos lhes renderão benefícios mútuos.

Neste elenco repleto de estrelas, como não poderia deixar de ser, encontramos Jamie Foxx no papel principal do escravo/cowboy Django muito bem acompanhado por Christoph Waltz ( Dr King Schultz) além das marcantes presenças de Leonardo Di Caprio e Django-Unchained-poster-Leonardo-DiCaprio-01Samuel L. Jackson que nitidamente se divertem a cada linha de diálogo proferida por seus personagens, ainda que o papel central de Foxx não o exija em absolutamente nada aparentando muitas vezes ser um joguete para destacar outros ao seu redor, o que nos leva a Christoph Waltz que volta a repetir um papel semelhante a Hans Landa (Bastardos Inglórios) proporcionando alguns dos momentos mais bem humorados do filme.. Ainda no elenco temos a participação de Kerry Washington, Don Johnson e uma aparição de Franco Nero, clara homenagem e referência ao clássico de 1966, Django,  além de outros do gênero é claro.

Por outro lado, apesar de Django Livre realmente demonstrar a mudança de ares no estilo do diretor, deixamos de contar com as boas viradas de roteiro, praticamente assinatura de Tarantino nos seus já consagrados clássicos. Tal mudança ainda sacrifica relativamente os contundentes diálogos do diretor de outrora fazendo com que seu público se desprenda aos poucos das características que um dia foram mais marcantes deste cineasta.

A trilha sonora dos filmes de Tarantino sempre se destacaram por destoar da ambientação proposta praticamente tornando-se um personagem em sí, o que não seria diferente deste em que se explora desde músicas com sonoridade western de Enio Morricone fazendo jus a temática em questão, à até Brown e 2Pac rasgando as fronteiras do estilo e do tempo com a levada urbana do rap.Django_Banner_SLJackon

Django livre conta com sua boa e velha dose de violência estilizada, porém é mais óbvio e menos ousado e tal desfalque causa um certo impacto em tela para aqueles habituados a linguagem do diretor, seja somente em roteiro ou por trás das câmeras, é impossível não nos arremetermos aquela boa e estranha vibe de filmes como Cães de Aluguel e Pulp Fiction.

Resumindo, Django Livre é diversão garantida, ação inevitável e personagens carismáticos envoltos em uma atmosfera que mescla o bom humor e a tênue linha que aborda questões raciais que muitas vezes bate de frente com o politicamente correto. Mente aberta e poucas demandas são exigidas para este filme e com absoluta certeza não é nem de perto o melhor filme de Tarantino. Não compare! Assista e se divirta.