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Resenha | Jurassic World

Diverte mas não foge da mesma fórmula de duas décadas atrás.
2

Review

7.5
7.5

Há mais de 20 anos atrás, o diretor Steven Spielberg trazia até nós a adaptação cinematográfica de Jurassic

Indominus Rex. A "estrela" de Jurassic World.

Indominus Rex. A “estrela” de Jurassic World.

Park, O Parque dos Dinossauros, baseado na obra homônima literária do autor Michael Crichton. O ano era de 1993, e o esforço para entregar algo crível e que fosse um deleite para os olhos até dos mais avisados, foi grande, bem pensado, paciente e acima de tudo, com os melhores do segmento, em um trabalho conjunto e muito bem sincronizado nos bastidores fazendo o que geralmente fazem de melhor, a magia do cinema. Jurassic Park marcou pelo avanço das técnicas nas imagens geradas por computador pelos artistas da ILM (CGI) que aliadas há um roteiro redondo, a competente trilha de John Williams, um elenco em sintonia fez deste um clássico moderno do cinema.

Depois de duas décadas e duas sequências, que segundo alguns são obras consideradas menores comparadas ao original, a franquia jurássica retorna aos cinemas onde uma vez foram pioneiros nas inovações para a sétima arte, mas que agora se exige certo nível de superação já que barreiras foram rompidas há um tempo, sendo eles o próprio estopim da revolução digital.

A “desextinção” dos dinossauros não é mais novidade para a humanidade desde os acontecimentos em San Diego

Chris Pratt. Um tratador não muito convencional.

Chris Pratt. Um tratador não muito convencional.

retratados em “O Mundo Perdido” (1997) e para passar por cima desta questão, a nova administração do parque agora chamado Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, decide inovar ao criar uma espécie híbrida com os traços mais selvagens e vantagens naturais de outras espécies batizada de Indominus Rex. Apesar de todos os problemas ocorridos décadas atrás na ilha Nublar, site original do primeiro projeto do parque “temático”, a nova administração foi bem sucedida em criar a nova atração apagando a tenebrosa reputação do parque. Tudo vai bem até que novamente se revela que o lapso de 65 milhões de anos entre humanos e dinossauros não está aí a toa!

Jurassic World conta com um elenco afiado desta vez estrelado por Chris Pratt, badalado desde o sucesso da Marvel Guardiões da Galáxia, Bryce Dallas Howard (Homem-Aranha 3), Ty Simpkins (Homem de Ferro 3), Nick Robinson, Irrfan Khan (As Aventuras de Pi) e Vincent D’Onofrio (Série O Demolidor).

A direção na mão de Colin Treverrow ao lado das composições de Michael Giacchino que usam de base o clássico do maestro Williams no decorrer do longa, resgatam muito da magia responsável pelo sucesso de 1993. Novos dinossauros são apresentados e agora é nítido que a evolução das técnicas para filmes do gênero se sobrepõe

Crianças em perigo. Vagas ocupadas.

Crianças em perigo. Vagas ocupadas.

aos demais elementos do filme.

Jurassic World conta com a boa e velha tensão de sempre, a sensação de perigo constante em cada virada porém perde no elo emocional que o público geralmente possuía com os personagens centrais já que no Parque dos Dinossauros, em menos de 30 minutos de projeção era nítido a empatia criada, seja isso graças pelo talento do elenco, diálogos ou meramente pela maneira que este eram apresentados. Esta nova investida, em termos comparativos, sofre um pouco com um desenvolvimento fraco destes personagens no qual a trama, presa também aos moldes do sucesso do primeiro filme, faz com que o expectador se sinta obrigado a apoiá-los devido ao inevitável senso de urgência. Até mesmo as sequências “Mundo Perdido” e Jurassic Park III“, neste quesito ao menos, são melhores já que ambas revesam em cada longa, revisitando os mesmos personagens (Dr. Grant com Sam Neill e Dr. Ian Malcom de Jeff Goldblum).

Bryce Dallas Howard fica encarregada pelo papel de Claire, administradora do parque e que fica responsável

Um Sea World...Mas com dinossauros.

Um Sea World…Mas com dinossauros.

pelos seus sobrinhos (Ty e Nick) em um fim de semana dedicado a visita ao parque. Enquanto Owen, papel de Chris Pratt, entra de cabeça neste mundo antes extinto, no intuito de entender melhor o mundo extremamente selvagem dos Velociraptors.

Dito isso, fica óbvio a tentativa de repetir exatamente a mesma receita do sucesso de 1993. A dupla de crianças na responsabilidade de um administrador do parque que são o foco nas cenas mais tensas, o agente encarregado de lidar com o caos instaurado pelos problemas do parque e até mesmo cenas que beiram a pura cópia, seja pelo senso de homenagem, que entre idas e vindas, revisita os velhos cenários e acessórios do filme de 1993, ou talvez por não fazer o que o seu primeiro predecessor fez. Ousar.

Jurassic World cumpre o principal requisito de todo filme blockbuster. Ele definitivamente diverte, mas não tem ousadia a não ser visualmente, que diga-se de passagem, é pré-requisito de todo filme do gênero. O longa retorna com as técnicas empregadas anteriormente, cada qual com a sua devida evolução é claro, seja ela na computação gráfica ou no desenvolvimento de animatrônicos e é claro, naquela politica do “mais e mais”, conta com muito mais espécies de dinossauros e boas sequências de ação.

Veículo de passeio destruído e crianças desaparecidas. Esse filme eu já vi.

Veículo de passeio destruído e crianças desaparecidas. Esse filme eu já vi.

Resumindo, Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, garante a diversão de todos aqueles que forem conferir em boas salas de cinemas, mas infelizmente, permanece preso a fórmula de O Parque dos Dinossauro de 93, que quando foi lançado, contava com o fator novidade, algo totalmente inexistente neste episódio. Mas ainda assim, graças a um conjunto de fatores, como a trilha de Giacchino, que bebe direto da fonte da composição original de John Williams e a inconfundível ambientação mágica que a franquia sempre possuiu ao longo dos anos, pode assim, reintroduzir este universo a mais uma geração de expectadores.

E que estes “sejam bem vindos… ao Jurassic Park!”

  • Rogerio Gelonezi

    Double Like

  • Whatsapp do Costinha

    Porra! Preciso ver esse urgente!