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Resenha | Lucy

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Uma das grandes características do cineasta Luc Besson é a construção de personagens femininos fortes num mundo marcado por violência. Há três exemplos de destaque na filmografia dele: Nikita – Criada Para Matar, O Profissional e O Quinto Elemento.

Ao deparamos com Lucy (Scarlett Johansson), personagem título da fita de ação, fica claro a tentativa de tê-la como epítome, a escalada máxima da heroína de ação, rendendo um conceito interessante que é: como é usar cem por cento do cérebro?

Apesar do tema salientar questões interessantes sobre o conhecimento passado através do tempo, depositado aqui como o sentido da vida, Besson durante a edificação da personagem se faz valer do cinema o qual ficou conhecido… a ação, com a devida dose de discurso científico pro cinema pipoca.

Na trama, Lucy, por acidente, fica incumbida de levar uma maleta para o insano e violento senhor Jang (Choi Min Sik de Oldboy) e acaba sendo vítima, assim como outras pessoas, já na introdução do conto. Ela e os outros sofrem uma intervenção cirúrgica o qual é posto no abdome uma sacola com drogas sintéticas que estavam dentro da maleta, o qual posteriormente seriam entregues em diferentes partes do mundo num esquema de contrabando. A heroína tem parte da substancia absorvida pelo organismo.

Isso transforma a moça de vítima à predadora mais perigosa de todas com a porcentagem do desenvolvimento cerebral aumentando. A princípio as habilidades físicas crescem, mas depois nem mesmo precisa combater corpo a corpo seus inimigos para se manter viva. Ela decide reunir as outras sacas de drogas impedimento os planos de Jang.

No decorrer da absorção ela pode sentir tudo, manipular ondas eletromagnéticas, gravidade, torna-se menos emocional e mais racional. Sem desejo, sem dor, remorso… tudo se esvai à medida que se aproxima dos misteriosos e instigantes cem por cento de capacidade neural.

Para um melhor entendimento de seus poderes, Lucy encontra na personagem de Morgan Freeman (especialista sobre desenvolvimento neural humano) uma válvula de escape, um orientador quanto sua nova natureza. A partir deste ponto até o clímax, Besson faz o de sempre em seus filmes que é a ação impecável e desenfreada, um breve tapa- buraco, quem sabe, para o encerramento existencialista e filosófico com um quê de ficção científica, mas metafísico ao estilo 2001 – Uma Odisséia no Espaço e A Árvore da Vida.

Com a iminente onisciência e poder de Lucy fica claro aonde Luc Besson quer chegar, revelando um conceito bastante radical, um discurso certamente herege e inflamado para os mais conservadores quanto às crenças religiosas. Isso somente torna exposto o quão pequena e insignificante (e ainda assim belíssima) é a espécie humana comparada à uma escala de grandeza imensurável, muito acima de nós e que somos parte!

Lucy não somente é um vislumbre sobre o potencial humano jamais explorado, mas um convite aos mistérios do Universo. Você não alcançará os cem por cento quando sair do cinema, mas permita-se expandir um pouco mais sua mente com o conceito explorado. Valeu, Luc Besson!

  • Biostalker002

    Opa!! Vou dar uma conferida nesse filme hoje!!