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Resenha | Mercenários 2

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Você é do tipo que sente falta do bom e velho cinema de ação dos anos de 1980 com frases de efeito, tiro, bomba, porrada e com alguém sempre dizendo que aquela é ‘a última missão’? Olá então amiguinhos, isso tudo e mais você vai ver em Os Mercenários 2, dirigido por Simon West (Con Air), fita ideal pra isso por reunir o maior número de atores bad asses do cinema de ação.
Você pode até pensar que é mais do mesmo, e é… SÓ QUE MUITO MAIS!
Sim, a sequencia é muito mais divertida, brindando aos fãs com mais ação inverossímil e a falta de desenvolvimento dos personagens (mas por que diabos deixaram Jet Li quase entrar mudo e sair calado? Pode isso, produção?).
O roteiro? Sim, com um fiapo de trama, tipicamente apresentado por esse gênero há três décadas, o que não deixa de apreciarmos um belo filme pipocão. A trama, roteirizada por Sylvester Stallone e Richard Wenk, começa quando Mr Church (Bruce Willis) recruta Ross e trupe para um ‘servicinho’ no Leste Europeu e daí começa a ‘história’.
West, ao contrário de Sly na aventura original, sabe trabalhar melhor a câmera evitando na hora das lutas e explosões os cortes súbitos e imagens excessivamente trêmulas, que deve ter deixado muito gente tonta. Mas o que incomodava antes continua ainda: o sangue computadorizado, embora que ainda melhor dosado.
Alguns devem perguntar se é obrigatório ter visto o primeiro para entender o que se passa na continuação. Não necessariamente (mas caso não tenha visto, e se for membro do sexo masculino, saiba que você é um verme e não merece viver, como diria Gunnar he he he).
Fica claro mudanças interessantes como a tentativa de aproveitar melhor Gunnar (Dolph Lundgren), agora de cara limpa, e que revelado pelo tio Sly numa mesa redonda com uma loira gelada na mão que o gigante sueco se formou formado no MIT. Com a ausência de Li, o eterno Ivan Drago torna-se parte do alívio cômico, bem aproveitado, por sinal.
Tem também a adição do novato Billy, interpretado por Liam Hemsworth (a.k.a o verdadeiro irmão do bombado que faz o Thor and o cara que come a Miley Cyrus). E que cá pra nós, ele não acrescenta em nada ao roteiro, embora renda uma cena chave mais original, se levarmos em conta que quase tudo começa e termina em bala.
Incomoda o desenvolvimento raso de Randy Couture, o qual se digladia com inimigos mas não tem cenas destaque maior, ao contrário de Terry Crews. Alguém aí não consegue rir do cara do pai do Chris?
Mas o mais relevante na produção foi o uso de constantes piadas sobre os clássicos: uma ao Exterminador do Futuro e Rambo, outra é um ‘I’m back’ aqui, um ‘Yippie kay yay’ ali e uma chamada ao ‘Lobo Solitário’ pra agradar os saudosos dos tempos de Mcquade. Aliás, o Chuck Norris Facts foi um artifício muitíssimo bem usado pra arrancar risadas reais dos atores em cena. Mas isso não antes de uma caminhada com óculos escuros ao som de Ennio Morricone, originalmente em Três Homens em Conflito, e andar em slow motion do mestre Chuck em pessoa.
Norris é como um especial secreto usado para contabilizar corpos, passar de fase e chegar ao vilão. É um lobo solitário, portanto uma participação bem específica, de uma sacada de magistral (fiquem atentos também às cenas do aeroporto mais ao final).
Falta espaço para um melhor desenvolvimento dos vilões, é claro, mas desde quando antagonistas de filmes de ação aos estilos anos 80 tinham? Jean-Claude Van Damme faz o antagonista Villain (olha a piadinha) que deseja vender plutônio resgatado da União Soviética por render uma boa grana no bolso. Pra ajudá-lo tem o ator Scott Adkins que cai no tapa e perde a cabeça com Jason Statham (entendam essa sentença como quiserem).
O embate final entre Sly e o Músculo de Bruxelas é previsível, bastante feijão com arroz. Mas se visto nos cinemas em nossas épocas áureas escolares, daria fim à discussão na hora do recreio sobre quem ganharia numa briga até o fim.
Em resumo, desligue seu cérebro e ative a testosterona e adrenalina no sangue. Ver a santíssima trindade porradeira composta por Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Sly disparando chumbo grosso, e zoando a si mesmos como velhos que deveriam estar num museu, é singular. É de fazer descer lágrimas de emoção pra quem cresceu vendo esses caras nas noites de Tela Quente, Super Cine ou Domingo Maior.
E aí, quem você quer ver num terceiro capítulo da franquia de Os Mercenários? Façam suas apostas e ponha cartas na mesa. Eu ouvi um Steven Seagal ou talvez um Wesley Snipes aí?
*Ah, em tempo… Alguém lembra o nome da gostosa com cara de carranca que o Church mandou pra vigiar o Ross, outra que também quase não acrescenta em nada na trama?
Nota alta (pelas risadas e porradaria), e só não foi máxima por que Chuck Norris não estava na luta final!