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Resenha | Morte Súbita de J.K. Rowling

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Tentando encontrar resposta para minha pergunta, pensei que talvez tenha sido esse o objetivo de Rowling.  Um romance social? A morte como educadora?

Sabe aquele livro cheio de magia e personagens cativantes? Então… esqueça.

E não estou falando de mágica e truque. Estou falando de encantamento no sentido de algo que nos conquista, nos atrai, nos seduz.

“O que ela está querendo com isso?”

Esta foi uma das perguntas que permearam minha leitura das 500 páginas de Morte Subida” (The Casual Vacancy) de J.K. Rowling.

A literatura Inglesa é clássica em nos trazer histórias envolvendo famílias e cidades, mostrando e criticando a realidade local, de uma época, de um povo, ou satirizando a soberba de uma classe, assim como fazia Charles Dickens. De fato, Morte Súbita lembra um pouco o estilo de Jane Austen, porém mais sombrio.

Tentando encontrar resposta para minha pergunta, pensei que talvez tenha sido esse o objetivo de Rowling.  Um romance social? A morte como educadora?

Morte Súbita é uma tentativa um pouco desastrada de Rowling em conquistar um novo gênero e um novo público, afastando-se de sua zona de conforto: os livros juvenis de Harry Potter.

A impressão que tive foi que Rowling resolveu que para escrever um livro adulto e mudar o estilo, teria que jogar fora toda capacidade de criar personagens cativantes.

casual-vacancy-cover-art-hi-resEm geral, Morte Súbita lida com a vida provinciana na cidade de Pagford. O enredo começa quando Barry Fairbrother, líder do conselho da cidade, subitamente morre no estacionamento do clube de golfe. Imediatamente conhecemos quem quer preencher sua vaga, e a eleição desencadeia uma série de eventos que no final vão mostrar do que Pagford é realmente feita.

Em estilo de novela, somos apresentados a oito famílias cujo vínculo entre si aumenta conforme a vida diária da cidade é revelada.

Produto do bairro chamado Fields, local onde vivem pessoas pobres, drogadas e vivendo de assistência gratuita, Barry Fairbrother, o falecido, lutava para ajudar a população de Fields enquanto seus oponentes queriam que o bairro voltasse a pertencer à cidade vizinha de Yarvil, devolvendo assim as responsabilidades e também fechando o Hospital de dependentes químicos da região, o Bellchapel.

Uma das personagens centrais é a adolescente Krystal, moradora de Fields e participante do time de remo da escola, comandado por Barry. Com sua morte, Krystal vê o time desandar e as amizades de quem gostava são afastadas. Krystal é a principal conexão entre Fields e Pagford. Sua pobreza e o dilema de viver com uma mãe constantemente drogada contrastam com a vida dos outros adolescentes, mas em todas as famílias os filhos sofrem algum tipo de abuso.

Com personagens em sua maioria detestáveis, o verdadeiro coração de Morte Súbita está nos adolescentes e não nos adultos. Enquanto os pais brigam entre si, envolvidos com a disputa pela vaga no conselho, os adolescentes estão vivenciando coisas que Harry Potter nunca sonhou: fumam, usam drogas, fazem sexo sujo, são agredidos pelo pai, vivem em constante medo, cortam-se escondidos, desejam suicidar-se e estão infelizes.

Os adultos são racistas, adúlteros, covardes, fazem muita fofoca, são frustrados sexualmente, tramam esquemas, fingem ser o que não são, escondem segredos, e nos lembram muito do casal Petúnia e Vernon, tios de Harry.

Apesar de permeado por momentos genuínos de drama e humor, o clímax demora a chegar, e de qualquer forma continuamos a ler porque agora odiamos tanto alguns personagens que queremos ver o seu fim. Por outro lado, estamos tão deprimidos pelos adolescentes que precisamos saber se suas vidas vão melhorar. Então finalmente chega o clímax e acontece uma tragédia. Uma história que estava triste fica ainda pior.

A conclusão que tiro é que o livro procurou mostrar o quão egoístas podemos ser e que devemos nos preocupar uns com os outros. Que o egoísmo pode levar a situações catastróficas e a autora quer que sejamos engajados e que assumamos a nossa responsabilidade pelos mais necessitados.

Apesar do tom pesado do livro, a trama é bem organizada mesmo com a grande quantidade de personagens e acontecimentos. As situações são bem construídas e J.K. Rowling demonstra ser excelente observadora. Algumas metáforas deixam a desejar, soando um tanto estranhas, porém são perdoáveis.

Não é um livro ruim, é apenas cheio de crueldade e desespero. No final das contas, é um livro deprê.

Fica o aviso de que realmente não é um livro para crianças com cenas bem inadequadas para os mais jovens. Quando questionada em uma entrevista se Rowling não se preocupava com o fato de que muitos leitores jovens de Harry Potter seriam impelidos a ler Morte Súbita por se tratar de um livro seu, deparando-se com esse tipo de conteúdo, a autora respondeu simplesmente que é uma escritora e não babá ou professora de ninguém.

De minha parte, não desisti de Rowling, espero apenas que o próximo livro seja melhor

  • Shirley representa um nível de ingratidão que se detém de sua própria insegurança, pois seu passado não é tão distante do dos Weedons. Acho que é muito comum esse tipo de pessoa estar entre as mais críticas e julgadoras. Ela – e não Howard – é o verdadeiro oposto de Barry Fairbrother no romance. Negando suas origens e castigando aqueles que a fazem lembrar delas, ela é a imagem negativa do homem que admite de onde veio e volta para tentar ajudar os outros. Shirley não só vê Robbie e o ignora enquanto luta com seus próprios problemas, que ela não sente remorso depois, jogando a culpa da morte da criança nos outros.

  • Carol Siqueira Tradutora Juramentada

    Olá Gold Price, obrigada por comentar. Shirley é realmente uma das personagens mais detestáveis do livro.