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Resenha | Motoqueiro Fantasma: O Espírito da Vingança

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Finalmente assustador

Em 2006, pessoas e fãs dos personagens da gigante dos quadrinhos Marvel Comics, conferiram em primeira mão um trailer sensacional de outro destes personagens cujo material de divulgação, trouxe para os holofotes mais um herói que não pertencia a primeira linha da editora. Na verdade, o Motoqueiro Fantasma, era equiparável a outros de sua categoria como por exemplo, Punho de Ferro, Espectro, Luke Cage etc… Mas o seu visual selvagem e seu veículo de natureza semelhante sempre foi alvo da atenção dos leitores, e quando este visual passou a ganhar novas dimensões em um personagem animado e incendiado por computação gráfica, queixos caíram e ansiedades cresceram e junto com isso, a esperança de ver uma atração que rendesse a Nicolas Cage, uma nova perspectiva diante de tantos trabalhos desacreditados(e com razão). Mas foi tudo em vão.

Mark Steven Johnson, diretor e roteirista do primeiro filme, trouxe para as telas um filme extremamente infantil para o mais demoníaco e assustador anti-herói da Marvel. Na versão dos cinemas, Cage encarnaria no motoqueiro acrobata Johnny Blaze, que fez um pacto com o demônio denominado Mefisto para salvar a vida de seu pai. Obviamente a coisa não andou bem e Blaze,além de perder seu pai em uma trapaça, perdeu sua alma e o controle de sua vida para a maldição do Motoqueiro Fantasma, entidade que Mefisto impõe para a coleta de almas.

Sim…Ele está de volta.

Tirando tudo de ruim, Peter Fonda atua como Mefisto, uma breve homenagem para a ode a cultura da motocicleta nos EUA com o filme Easy Rider ( Sem Destino). A presença de Carter Slade, o Ghost Rider original das histórias western dos anos 50 e 60, que na verdade não passava de um vigilante fantasiado de branco(também a cor de seu cavalo) fazendo justiça com as próprias mãos no velho oeste, mesmo se fazendo uso dos poderes paranormais, mas que aproveita o conceito dos nos 2000 de que existiram vários portadores do espírito da vingança além de Blaze e por último, por mais que estivesse fora de sintonia junto com muitas outras coisas, a presença do colírio para o público masculino Eva Mendes.

Mas 2012 chegou, e por mais que a primeira investida do motoqueiro nos cinemas fosse exibida de uma maneira totalmente equivocada, a decisão dos estúdios ainda pendeu para uma sequência. Com novos personagens, nova direção, novo roteiro mas ainda assim com a presença de Nicolas Cage.

Depois de um breve resumo sobre o passado do personagem, onde a dupla de diretores Mark Neveldine e Brian Taylor optaram por um estilo demente de uma junção de técnicas de animação e computação aliadas a uma edição totalmente frenética, a projeção começa mantendo uma maneira nada linear de fotografia e novamente a edição. Provável influência da bagagem vinda da franquia de ação Adrenalina (Com Jason Statham), também dirigida por esta dupla de diretores.

David S. Goyer, responsável por roteiros de Blade e a nova série de filmes de Batman, assina o roteiro mas ainda assim

Novo conceito visual garante look apropriado.

prefere não optar por uma história mais complexa, mantendo o pé sempre no sobrenatural a exemplo da produção anterior.

No longa, Johnny Blaze é atraído por uma proposta de se livrar de sua maldição em troca pela proteção da vida de um garoto, suposto filho do demônio cujo corpo é do interesse do mesmo, para que sua encarnação na terra fizesse uso de todo o potencial maléfico de seus poderes.

Obviamente a fonte original, apesar de raras vezes trazer brilhantismo às histórias do personagens (Uma delas pelas mãos de Garth Ennis), não seria material para que Goyer se apegue 100% na fidelidade, assim como certas liberdades tomadas na produção de 2007 (como a junção do pai de Blaze e seu mentor, Crash, nas acrobacias, no mesmo personagem para citar uma delas ). A entidade Zanathos, o demônio encarregado pela transformação de Blaze no motoqueiro fantasma, é desconstruído e reconstruído sob outra ótica de Goyer. Outro sub-vilão garantido na sequência é Black Out, obviamente fora de suas origens e características nos quadrinhos mas condizente no visual, mesmo que este seja pertencente a cronologia de outro motoqueiro nos quadrinhos (Danny Ketch).

Mas fora das adaptações e roteiros medianos, o novo visual do motoqueiro em O espírito da Vingança está simplesmente sensacional. Cenas de perseguições em estradas na plena luz do dia dá um tom mais assustador para o personagem, e para esta característica, seu visual não poderia ser simplesmente baseado no espiritual, mas assim com também no físico.Para isto, um novo conceito para as chamas é criado. O fogo reage fisicamente ao Crânio e demais ossos, assim como também o figurino. O novo motoqueiro dos cinemas enfim ganha um visual infernal garantida pela fumaça negra, ossos queimados e figurinos chamuscados.

Black Out

Aqui, a dupla Taylor e Neveldine ainda se sentem em casa para fazer suas experimentações não convencionais na edição e na escolha da fotografia que ajuda um pouco mais no tom de selvageria do longa.

Resumindo, Motoqueiro Fantasma O Espírito da Vingança, está longe de ser um filme perfeito, e até onde se sabe o estilo de atuar de Nicolas Cage que o andou marcando negativamente nas suas últimas produções, bate perfeitamente com o estilo inconvencional de direção. O filme parte para a simplicidade e a despretensão tornando-o divertido.

Mas para a a próxima vez, se houver, o roteirista encarregado poderia se soltar das amarras que prendem o motoqueiro fantasma ao seu mundinho sobrenatural, e desenvolver plots que dentro da simplicidade do personagem, faça com que seu look infernal conte uma boa história dentro de um bom thriller de terror e ação.

Nota: 6,5

  • Efraim

    Honestamente… NÃO VEJO A HORA DOS DIREITOS SEREM TOTALMENTE REVERTIDOS PARA A MARVEL! A sequencia é melhor, mas ainda assim FRACO!

    • Scagg

      Pode até mudar pra Marvel, e sinceramente nada vai acontecer porque o motoqueiro apesar de ter conceitos visuais legais as histórias vão permanecer a mesma merda dos quadrinhos. Até o Garth Ennis apesar de bom no que faz salvou esta merda. Só compensa mesmo pela arte do Clayton Cray.

      • Scagg

        *não salvou

  • Caio lima caldas

    Gostei desse filme é mais sombrio mas o que não gostei é que esse segundo não tinha nenhuma relação com o primeiro que tambem achei bacana.