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Resenha | O Espadachim de Carvão de Affonso Solano

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Publicado pela editora Fantasy/Casa da Palavra O Espadachim de Carvão é o primeiro romance escrito por Affonso Solano

Adapak, filho de um dos Dingirï, criaturas que deram vida à Kurgala é um jovem de pele cor de carvão e olhos brancos que cresceu cercado de conhecimento e sabedoria, protegido pelo pai em sua ilha sagrada. Seu conhecimento de Kurgala é adquirido basicamente por livros e apesar de ser treinado para lutar e usar a técnica dos “Círculos”, não possui vivência. Quando completa 19 anos, Adapak é forçado a fugir e lutar para encontrar os que desejam a morte dos Deuses de Kurgala. Esta é a primeira e derradeira vez que deixa sua morada.

O universo criado por Affonso Solano é bem diferente. De maneira criativa, o autor elaborou um mundo com bastante originalidade e personagens com características que podemos encontrar em nós mesmos, como a ingenuidade de Adapak e suas descobertas do mundo “real” que são difíceis mesmo para um espadachim filho de um deus.

O livro tem início com uma cena de ação em que algumas das habilidades de Adapak já são mostradas, enfrentando uma guandiriana (fêmea-soldado).

Contado em dois tempos, o enredo muitas vezes volta ao passado de Adapak, momento em que descobrimos como aprendeu usar a técnica dos Círculos de Tibaul, as criaturas envolvidas em sua formação e os acontecimentos que levaram à situação enfrentada no presente.

No início de cada capítulo, há citações das aventuras de Tamtul e Magano, série fictícia lida pelo protagonista e que muitos leitores esperam que Solano publique futuramente.

O livro possui muitas cenas de ação e as descrições de locais, pessoas e eventos não são extensas. Na verdade, são na medida certa para imprimir ritmo à narrativa. Ao final da leitura, ficamos com o desejo de conhecer mais sobre os personagens e descobrir outros aspectos do mundo criado pelo autor. Ponto positivo pois o autor já avisou que haverá sequências.

Solano criou uma linguagem específica para o universo, como os anos que são na verdade contados em ciclos (14 meses terrestres), um casco corresponde a um palmo de sua mão, e as raças, seres e toda mitologia deixou leitores desejosos de um glossário. Pessoalmente não vi necessidade disso, pois vamos compreendendo cada aspecto conforme avançamos com a leitura, ao mesmo tempo em que Adapak também faz suas descobertas.

Enfim, é possível perceber que este livro foi feito com esmero. Esta é uma obra consistente, nova, diferente e rica, cujas páginas proporcionam bons momentos de entretenimento.

 

Citações: 

– Esses Círculos são como se fossem uma “luta”, então?

– Hmm… Mais ou menos – ele respondeu, torcendo os lábios. – Telalec não gosta de chamá-los assim. Ele diz que “amadores ‘lutam’, profissionais ‘resolvem’”.