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Resenha | O Espetacular Homem-Aranha: A Ameaça de Electro

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Uma das piores coisas que se pode ocorrer a uma franquia de filmes é de ter a sua existência questionada antes mesmo da sua primeira investida nas telas. Assim se sucedeu com O Espetacular Homem Aranha e uma das razões disso se encontra nas motivações equivocadas dos estúdios da Columbia/Sony Pictures que em um óbvio esforço de afastar o Aranha das garras da Marvel Studios dos direitos hoje ainda em sua posse, preferiu realizar produções a esmo a perder os mesmos por questões contratuais. Mesmo assim a decisão pesou em voltar às origens do personagem mas pelo menos contando com algumas premissas diferentes e não dando importância ao fato de pouco anos atrás já ter encerrado (mal) uma trilogia.

Gostando ou não, o Aranha retorna às telonas com sangue novo no elenco, direção e um diferente rumo de história mesmo explorando novamente às origens do personagem. Apesar de pouco o que se elogiar em O espetacular Homem-Aranha de 2012, a verdade é uma só. O elenco se destaca sobre o ritmo descompassado do filme, do roteiro fácil e da direção indecisa. Andrew Garfield ocupa o lugar de Tobey Maguire no traje azul e vermelho e nos dá um Aranha contemporâneo, divertido e fiel a fonte sem mencionar o fato de estar rodeado de talentos como Emma Stone na pele do primeiro grande amor de Peter Parker, Gwen Stacy, Sally Field como tia May, Martin Sheen como Ben Parker e até mesmo na ótima participação de Dennis Leary como Capitão Stacy, que mesmo com pouco tempo em tela, forma um dos mais importantes alicerces dramáticos para a sequência O Espetacular Homem-Aranha 2.

Em O Espetacular Homem-Aranha 2, Peter Parker se encontra dividido entre o dever do herói, e a promessa de sacrificar seu amor a Gwen Stacy em troca de sua segurança e do cumprimento do último desejo em vida do capitão Stacy. Em paralelo a isso, Peter ainda busca no passado o que se esconde por trás do desaparecimento de seus pais enquanto redescobre sua antiga amizade com Harry Osborn e como seu vínculos com a obscura empresa Oscorp podem os levar a um grande perigo.

A difícil tarefa de cumprir promessas

É fato que estávamos mais acostumados  a idéia de um novo longa após um certo tempo de distância da franquia de Raimi e Maguire, talvez até mesmo mais inclinados à aceitação do universo Ultimate da Marvel, uma das grandes essências da nova série de filmes, esta mais aberta ao público visto a realidade em que vivemos. O grande respeito por um personagem importante como o Aranha as vezes pode se tornar um grande obstáculo para a evolução do mesmo, isto se pode notar até mesmo no universo das HQs onde o respeito pelas origens do personagem era tanto que mesmo nos anos 90 o visual e argumentos das revistas ainda passavam por forte influência dos anos 60 e 70, onde se fortaleceu a mitologia do personagem.

Se a trilogia de Raimi demonstravam bem isso, a nova franquia nas mãos de Marc Webb seria responsável por nos entregar um personagem mais antenado no que se passa atualmente no mundo e o que mais é evidente, o que se passa na vida de qualquer adolescente nos dias de hoje. A interação de Garfield com Sally Field é um dos pontos altos em termos de dramaticidade no roteiro bem acompanhada também da complicada relação entre os personagens de Peter Parker e Gwen Stacy. Afinal de contas, não seria a primeira vez que Marc Webb se vê diante de dramas juvenis.

Enquanto os personagens seguem  bem desenvolvidos pelo lado dos heróis isso não ocorre pelo lado dos vilões. Electro (Jamie Fox) passa por uma rápida transição e com Harry Osborn e seu alter ego, o Duende Verde, não é diferente porém em uma escala menor. Além do problemático desenvolvimento do personagem de Harry, a falta de jogo de cintura do ator Dane Dehaan aliada a falta de direção chega a ser o ponto mais baixo deste segundo longa . Depois de cinco filmes chega a ser até compreensível  este passar batido algumas origens já que depois de uma década de super exposição do personagem a mesma técnica passa de informativa para extremamente maçante .  O Espetacular Homem Aranha 2 chega a ser até coerente com alguns elementos do quadrinhos (Afinal, Rino e Electro são personagens idiotas nas HQs e aqui não deixou de ser diferente).

A nova galeria de vilões

Deixando de lado os pontos negativos do filme uma coisa há de ser mencionada. Que filme de ação é este novo Homem-Aranha! Cenas de combate com plasticidade única e ótimas coreografias (mesmo a maioria sendo CGI) com destaque para o balé aéreo do Homem-Aranha e a feliz decisão de fazer com que o herói use um traje bem próximo do design dos quadrinhos, possivelmente uma excelente homenagem ao Aranha do conceito inicial dos quadrinhos pelas mãos de Steve Ditko e pelas histórias de Stan Lee.  Em termos de efeitos visuais este é um episódio que deixa todos os seus antecessores para trás e que mesmo recorrendo ao batido recurso da câmera lenta por algumas dezenas de vezes, isso tende apenas a dar mais um tempo ao público de visualizar toda riqueza de detalhes em uma fotografia que lembra bastante aos dos filmes de Sam Raimi em uma explosão de muitas cores e movimentos, o que remete muito aos elementos essenciais dos quadrinhos. Apesar da trilha que destoa em muitas partes, o show de luzes e efeitos durante as batalhas atenua o amargor de algumas deficiências da produção. Fica a recomendação em assistir em boas salas caso optem pelo 3D que faz o público realmente se balançar pelos arranha-céus de Nova York

Em termos gerais, O espetacular Homem-Aranha 2  não é um esplendor intelectual que preenche todos os requisitos da cinedramaturgia e por muitas vezes se desprende desnecessariamente da fonte original. Não se enganem quanto ao propósito do filme que jamais terá como seu enfoque principal exclusivamente o público adulto e para aqueles que se iludem que um dia isso irá mudar, estejam abertos para a possibilidade de que isto jamais se suceda. Caso ainda tenham alguma dúvida…confiram os quadrinhos.