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Resenha | O Hobbit: A Desolação de Smaug

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Chegando ao segundo filme da série lembrei por breves momentos da antiga discussão sobre O Hobbit existir ou não devido a uma série de problemas desde a exclusão do envolvimento de Peter Jackson da produção, a desistência de Guillermo Del Toro ou até mesmo a indefinição de quantos filmes seriam necessários para que a adaptação acontecesse. E mesmo com a produção nos trilhos (ao menos nos bastidores) e a chegada de O Hobbit: A Desolação de Smaug em muitas salas de cinema neste mês de dezembro, ainda podemos sentir o gosto amargo desta série de problemas que mesclados ao ganancioso universo da indústria cinematográfica infelizmente nos faz sair da exibição com aquela sensação que talvez outros rumos diferentes, mesmo que a contra gosto, poderiam ter nos rendido algo mais satisfatório.

O Hobbit: A Desolação de Smaug se aproximava a cada mês como uma promessa onde o lento início da série poderia ter sido apenas a tomada de fôlego antes da completa imersão nesta jornada assim que a aventura tivesse o seu inicio e ao que me parece temos aqui mais uma obra que compreensivelmente ira dividir o público.

Aos fãs da obra original provavelmente levariam em conta uma adaptação leve, divertida com todos os recursos técnicos de O Senhor dos Anéis ao seu dispor para contar uma boa aventura que deixariam uma boa marca em um único e ótimo filme. Aos fãs das adaptações existentes da obra de Tolkien, provavelmente ficariam na espera de algo apoteótico como o Retorno do Rei ou algo próximo a isso em quantos episódios que os estúdios julgassem necessários. A partir do momento que a obra original destoa bastante do que foi adaptado até agora principalmente pelo fato de ter sido concebido para um propósito diferente chegamos à conclusão de que muitas liberdades serão tomadas para que esta forçadamente se “iguale” de algum modo ao nível épico de um Senhor dos Anéis.

A Desolação de Smaug volta a contar a jornada de Bilbo que abandona a sua pacata e confortável vida no distante condado dos Hobbits por uma boa aventura ao lado do mago Gandalf e o grupo de treze anões liderados pelo bravo Thorin Escudo-de-Carvalho. O seu único objetivo, a reconquista de Erebor, o lendário reino dos anões sob a montanha que foi brutalmente devastado e tomado pelo dragão Smaug que repousa entre os muitos tesouros da cidadela.

Um dos erros de Uma Jornada Inesperada foi de imediato sanado seja ela pela história, necessidade ou consequência. Bilbo (Martin Freeman) recebe mais notoriedade e a este por sua vez conta com uma boa dose de aventura e ação ao contrário da trama arrastada e lenta do longa anterior , mas para que isso acontecesse alguns sacrifícios (desnecessários caso a franquia fosse menor) seriam necessários e segundo se nota, seja por uma decisão de Jackson ou por interesses dos estúdios, O Hobbit permaneceu em seu curso óbvio de se aproximar à franquia mãe. Alguns personagens da obra original passaram por uma “lima” para que certas liberdades sejam tomadas como a presença dos elfos Legolas (Orlando Bloom) e Tauriel (Evangeline Lilly) sendo esta última exclusivamente criada por Peter Jackson e a roteirista Fran Walsh para complementar a já a longa e saturada lista de personagens, mas que integrou algumas das melhores cenas de ação do filme. Se por conta disso alguns dos personagens foram mal desenvolvidos ou suas presenças reduzidas a alguns minutos de projeção na tela a caráter quase gratuito como o “transmorfo” Beorn, por exemplo, o humano Bard (Luke Evans) ganha um pano de fundo mais elaborado sendo mais atuante no desenvolvimento da trama do que simplesmente ser um recurso a ser repentinamente usado numa conclusão como na obra original.

Outra participação marcante foi a do ator Benedict Cumberbatch (Star Trek: Além da Escuridão) que emprestou sua voz e trejeitos ao dragão Smaug (além do necromante) que, diga-se de passagem, foi um dos deleites visuais do filme ao lado das cenas de ação onde enfim podemos ver um pouco de esmero nas tomadas digitais, algo normalmente cansativo e tedioso nas recentes produções a se utilizarem deste recurso. Para quem esperava a sequência da fuga de Barris foi um prato cheio.

Infelizmente, ao contrário de seus precursores no início dos anos 2000, O Hobbit se prova instável talvez pela indecisão de qual rumo tomar seja de se aproximar aos padrões estabelecidos em O Senhor dos Anéis ou seguir algo mais próximo à linha do conto original. Nunca se questionou o talento de Peter Jackson principalmente pela hercúlea tarefa feita anteriormente considerada por muitos como impossível, mas após tanto tempo envolvido no universo de Tolkien talvez coubesse aqui alguém com uma visão mais fresca e diferente daquela que um dia já foi proposta e que serviu muito bem ao seu propósito. Isto se reflete nos personagens, no roteiro e até mesmo na discreta trilha de Howard Shore que ao menos em Uma Jornada Inesperada emplacou a canção The Misty Mountains.

É inegável que O Hobbit: A Desolação de Smaug diverte em diversos momentos e que ainda Peter Jackson demonstra o bom timing entre cenas de ação, piadas e lindas tomadas, mas ainda assim, o maior problema da série até aqui não são apenas os excessos sejam eles de personagens, efeitos visuais ou liberdades criativas, mas de sim estabelecer uma identidade própria.

Aguardemos O Hobbit: Lá e de volta outra vez.

 

  • Engraçado como as pessoas não viram o filme assim.
    Acharam sensacional, excepcional enquanto eu achei chato… e ninguém acreditava.

    Minha opinião no AN foi igualzinha

  • Filipe MacLeod

    Eu devo ser muito doido… achei o filme muito irado, melhor que o primeiro e quase melhor que o sociedade… enfim… acho que essa opinião se encaixaria no GC 005 Guilty pleasures…