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Resenha | O Legado Bourne

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Representando uma ínfima parcela de franquias que não perdem sua postura inicial com o passar das sequências aqui está um dos maiores exemplos que nos agraciou com sua presença na década passada. A Saga Bourne.

A Identidade Bourne, romance de 1980 de Robert Ludlum, rendeu no fim dos anos 80 uma fraca adaptação televisiva, mas foi deslumbrantemente readaptada para os dias de hoje com o roteiro de Tony Gilroy em 2002 com o longa homônimo contando com Doug Liman na direção e Matt Damon encarregado de Jason Bourne, agente secreto e assassino a mando de seu governo treinado por um eficaz e desumano programa que torna meros humanos em máquinas mortíferas na caçada a alvos que implicariam no processo de “segurança nacional”, até que uma missão mal sucedida acarreta um incidente responsável pela perda de sua memória. Com o receio de que o programa de assassinos seja revelado ao público, as agências responsáveis fazem de tudo para apagar os vestígios de suas operações secretas o que inclui Jason Bourne, que luta com toda a força e inteligência para o qual foi treinado.

Este ponto de partida fora muito bem aproveitado nos próximos dois filmes (A Supremacia Bourne de 2004 e O Ultimato Bourne de 2007) que passam a direção para o muito competente diretor Paul Greengrass que prova para Hollywood que não é necessário a ausência de inteligência e o acréscimo de apelo visual para seguir adiante com a série de filmes. Depois de quases seis anos ausente das telas, a série retorna em 2012 em mais um conto visceral de espionagem. O Legado Bourne.

Tony Gilroy prossegue no roteiro, mas também assume a direção deste que apesar de revisitar a série de filmes, não conta mais com uma história original de seu criador Robert Ludlum. Jeremy Renner, o nome do momento em Hollywood com suas muitas aparições nos últimos blockbusters (Missão Impossível: Protocolo Fantasma, Os Vingadores entre outros), encarna aqui o agente nomeado Aaron Cross, membro do programa corportamental  Outcome. A história de O Legado Bourne anda em paralelo com os eventos ocorridos em Ultimato, e ao perceber que seus segredos sujos estão ameaçados graças as constantes investidas de Jason Bourne, a agência percebe que deve desativar todas suas operações e dar início ao processo de erradicação de evidências, o que inclui a vida de Aaron Cross e da expert em bioquímica Dra. Marta Shearing , interpretada por Rachel Weisz, cujo trabalho em laboratório desenvolvia drogas aplicadas no programa no aprimoramento físico e intelectual, dando origem a fantásticas cenas de ação, lutas e grandes escapadas dignas dos episódios anteriores.

Este por sua vez aposta em pontos mais fantásticos em sua história, mas em nenhum momento dispensa o lado inteligente expresso muito bem na trilogia com Damon, apesar de por vezes de nos dar a sensação de pouca inovação na trama.Perseguições, coreografias de luta de tirar o fôlego e o emprego da tecnologia próximo ao mundo real já são marcas registradas na série e o legado faz questão  de manter estes elementos intocados. Desde 2002 a franquia  mostra que é possível obter um resultado plástico em tela sem o uso do recorrente recurso do “slow-motion”, afinal, o responsável por associar lutas violentas a um “balé” , moda vigente nas demais atrações do gênero,não deve ter concepções muito interligadas a violência gráfica e muito menos para com a realidade.

Desta vez John Powell dá lugar a James Newton Howard no score que oferece uma trilha que amplifica a magnitude poderosíssima nas cenas com grandes sequências de ação  e que diga-se de passagem, também conta com o nível de edição de sempre.

Resumindo, O Legado Bourne perde na inovação explorando muitas das facetas dos filmes anteriores em termos de roteiro caindo em uma não incômoda mesmice. Jeremy Renner a exemplo de seus últimos trabalhos, encarna novamente o tipo de herói menos preso a uma atmosfera tensa, mais expressa em diálogos rápidos e cenas ágeis. Rachel Weisz repete o estereótipo da garota em apuros e indefesa antes visto com Franka Potente e Julia Stiles, mas sempre nos convence pelos seus talentos como atriz. Infelizmente o único revés no elenco, se é que podemos nos referir assim, é a pequena participação de Edward Norton se compararmos com seu poder como ator.

É inegável que o estilo visual e o emaranhado de tramas com os episódio anteriores é cativante e por muita vezes inteligente, mas é justamente neste ponto que reside o único ponto fraco do longa.A falta de inovação e um certo medo aparente de seguir adiante por mais que se troque os personagens centrais, mas que com certeza, está bem longe de representar um dano no seu entretenimento durante seus 135 minutos de projeção.