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Resenha | Rogue One: Uma História Star Wars

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Review

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A Disney, desde a sua mais importante aquisição, a da bilionária franquia Star Wars, assumiu o compromisso de

Jyn Erso & Cassian Andor

Jyn Erso & Cassian Andor

expandir o universo, fazendo é claro, muito lucro em cima disso. A única questão que permaneceu nas mentes dos fãs era se realmente, o interesse particular de uma indústria como os estúdios Disney, não prevaleceria sobre o objetivo de fazer com que a saga se torne relevante para as futuras gerações sem mencionar as já conquistadas ao longo dos 40 anos de existência da franquia. A verdade é que por muito mais tempo que isso, a Disney, além do lucro envolvido é claro, se especializou em entregar ao seu público um produto que praticamente por muito tempo possuiu o monopólio. A fantasia. E se falando de Star Wars, que mesmo com toda a suposta “embalagem superficial” de ficção científica que a saga recebeu, sonhos e fantasias foi o que sempre foi entregue ao seu público.

Rogue One: Uma História de Star Wars chega aos cinemas com um novo compromisso. Retornar a ambientação original da saga, mas com a liberdade de explorar o que estava no mais distante horizonte.

Como último recurso na tentativa de impedir que o terror promovido pelo império se alastre por toda a 2galáxia, um peculiar e inusitado grupo de pessoas se unem à aliança rebelde para interceptar os planos de construção da mais poderosa arma de destruição do inimigo. A Estrela da Morte.

O diretor Gareth Edwards (Godzilla, 2014), incumbido da tarefa de nos levar de volta para o clima da saga de 1977, e claro, contando com um elenco afinado e um roteiro nada muito sofisticado, porém objetivo e redondo, conseguiu sair do óbvio e das limitações de um universo com regras já estabelecidas, mas que se provaram ser maleáveis. A nova aposta da Disney dentro da franquia, “Histórias de Star Wars” (que serão exibidos intercalados com os episódios oficiais) não conta com os moldes tradicionais da saga, e que diga-se de passagem, sua ausência dá novos ares para o longa mesmo porque, estes se tratam de histórias paralelas aos acontecimentos da saga oficial e que neste caso, nem sequer sentimos a real necessidade de reapresentá-los.

O elenco de Rogue One ficou encarregado de desenvolver personagens de forma mais dinâmica e objetiva visto que

O quase carismático K-250

O quase carismático K-2SO

as engrenagens do roteiro dependia de muitos deles. Talvez aqui, o ponto mais fraco do longa, já que mesmo funcionando em prol da caracterização de cada personagem, o tempo em tela não é o suficiente para uma maior conexão e apego com o público. Felicity Jones (A Teoria de Tudo) , a exemplo de O Despertar da Força, encarna mais uma personagem feminina forte do universo, a rebelde Jyn Erso que ao lado de Diego Luna como Cassian Andor, formam a liderança do mais inusitado grupo rebelde compostos pelo veterano em filmes clássicos de artes marciais Donnie Yen e mais Riz Ahmed, Wen Jiang e Alan Tudik (como a voz do Droid K2SO). O filme conta também com as pequenas mas excelentes participações de Mads Mikkelsen e Forest Whitaker, que com certeza foram escalados para dar peso e a devida importância na trama. Já representando o Império, Ben Mendelsohn(O Cavaleiro das Trevas Ressurge) fica com o comando pelo projeto da Estrela da Morte como o diretor imperial Orson Krennic em mais um papel “detestável” para o público simpatizante da aliança.

No quesito visual, que de longe é o ponto mais marcantes de toda a saga, Rogue One manda muitíssimo bem. O

Orson Krennic

Orson Krennic

estilo estabelecido desde de 1977 ganha mais requinte com o uso das novas tecnologias em efeitos visuais e que com certeza honram a ideia original de seu criador George Lucas. A utilização de tais técnicas nos veículos, naves fazem com que tudo funcione melhor e de maneira mais fluída sem mencionar no figurino fantástico seja na aliança rebelde ou nas forças imperiais. Com o uso na medida certa dos recursos de pós-produção, histórias são contadas de maneira mais efetiva e o universo fica mais rico. Os mais ansiosos fãs poderão contar com novos planetas e sistemas. Poderão se aprofundar um pouco mais na mitologia Jedi e com certeza irão contar com os tradicionais elementos dos chamados “Fanservice”  com breves menções, participações de personagens clássicos e até por vezes de alguns que muitos julgaram ser “esquecidos” pela nova administração da franquia sem mencionar nos momentos onde poderemos conferir o seu principal ícone, Lorde Darth Vader no seu primor em termos de representação seja simplesmente no visual, ou na atitude.

O incrível visual dos Death Troopers

O incrível visual dos Death Troopers

A encenação de uma das principais assinaturas de Star Wars, as batalhas, sejam por terra, aéreas ou espaciais, são um verdadeiro deleite visual além de muito bem construídas, em grandes escalas e em diferentes níveis que acompanham cada qual ao seu respectivo clímax com  a trilha de Michael Giacchino, que musicalmente constrói por cima dos temas de John Williams sem lá muita ousadia apesar de marcar um novo tom no início da exibição.

Rogue One: Uma História Star Wars ao que parece, apesar de um bom entretenimento, veio mais para agradar ao público já angariado e aos fãs de carteirinha sem muita ambição em conquistar ou manter o novo público desde O Despertar da Força. Isso se nota no uso de elementos presentes nos demais produtos do universo de Star Wars, o que inclui o conteúdo expandido, além das animações e demais mídias . Apesar de respeitar toda a cartilha visual de George Lucas, Rogue One não entrega nenhum personagem cativante o que infelizmente se intensifica com a opção do roteiro mais simples. Todos os filmes da saga onde há um consenso geral que são bons, sempre trouxeram uma boa leva de personagens cativantes e todo o peso que isto

Da série animada para a galeria live-action de Star Wars. Saw Gerrera e o lado extremo dos rebeldes.

Da série animada para a galeria live-action de Star Wars. Saw Gerrera e o lado extremo dos rebeldes.

acaba implicando na história como consequência. Jyn Erso e Cassian Andor são as âncoras dramáticas que tem pontos de partida obscuros, interessantes e cheios de potencial, mas pouco explorados a exemplo de mais alguns outros. Repetindo, a grande verdade é que Rogue One é ótimo entretenimento e visualmente muito carismático e vislumbrante, mas a maior crítica fica em cima do quão excelente o longa poderia ter sido e preferiu não ser.

 

 

 

 

  • Taí uma crítica honesta desse filme. Não precisou ‘endeusar o produto’ e também não precisa massacrar. Tive uma percepção parecida desse filme, quando você diz: “(…)Rogue One não entrega nenhum personagem cativante o que infelizmente se intensifica com a opção do roteiro mais simples.(…) e antes: (…) Talvez aqui, o ponto mais fraco do longa, já que mesmo funcionando em prol da caracterização de cada personagem, o tempo em tela não é o suficiente para uma maior conexão e apego com o público. (..) — De fato, não me cativaram. Tive mais empatia pelo Robô, pelo piloto medroso e até mesmo pela duplinha de lutadores do que pelo casal ‘principal’. E ainda sim, não foi aquela coisa de realmente me importar com os personagens, saca?

    Achei o filme meio arrastado e com uma divisão bem clara entre ‘os bons e os maus’, algo quase que infantil (Disney, né?). Enfim, não vi nada de extraordinário e ainda gostei mais do filme do ano passado que deste.

    Levei minha mãe para assistir e ela adorou a película. Para mim, isso que me importa de verdade.

    Abraços, Oli!