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Resenha | Show do Tears for Fears – Rio de Janeiro – 08/10/2011

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Resenha | Show do Tears for Fears – Rio de Janeiro – 08/10/2011

Peço aqui, caro leitor, que me perdoe por mais uma vez resenhar sobre uma de minhas bandas preferidas e em primeira pessoa, escrevendo do ponto de vista de um fã, e não como um redator que precisa manter aquela velha fórmula do ‘lead’, ditando tudo de forma imparcial, apenas retratando os fatos. Mas quando se trata destes a quem se destina o texto, é impossível, ao menos para mim, não quebrar esses padrões tão cobrados nesse anos em que estudei Jornalismo…

Vamos começar a diversão, galera…

É sempre num misto de muita magia e orgulho que a geração musical da década de 1980 relembra os hits áureos dessa época, tão antológica pela gama de artistas e bandas nacionais e internacionais, que embalaram a trilha sonora de muitos. Para os que não vivem sem o bom e velho (velho que nada, é clássico mesmo) synthpop/pop rock oitentista do Tears For Fears e não compareceram na noite de 8 de outubro no CityBank Hall, Rio de Janeiro… Bom, meus pêsames!

Um sonho infante que se realiza é a descrição ideal para aqueles que eram muito novos a primeira vez que ouviram os acordes da guitarra e voz inconfundível e inalterada ao passar dos anos de Roland Orzabal em conjunto com a suavidade do vocal e baixo de Curt Smith. Senhoras e senhoras, o seu, o meu, o nosso… “Tias Fofinhas”.

Quinze anos de espera. Pra você que esteve no alto dos seus primeiros anos de idade e não pode conferir o duo em 1990, no Hollywood Rock, ou mesmo em Sampa no ano de 1996, então a noite que celebra o retorno deste fenômeno da música mundial foi sua chance de festejar e cantar hits!

Everybody Wants to Rule The World é a primeira de cara! Mãos ao alto, sorrisos, gritos, uma geração fiel que lota para ver de perto os ídolos. As canções que prevaleceram em sua maioria são dos álbuns The Hurting, Songs From A Big Chair e The Seeds Of Love. Álbuns esses que faziam a vida ter todo um sentido ímpar e especial, que eram refletidos no dia a dia…

A banda sempre teve faixas que brindam uma identificação pelas mensagens (muitas delas subjetivas) que quando ao ouvir fazia sentir parte de algo maior… E isso era uma característica hiperbólica da música oitentista, principalmente hoje, quando estamos imersos e bombardeados num mar sem fim de puro lixo fonográfico.

Talvez seja desnecessário aqui pautar canção por canção, ou que Orzabal arranhou, e muito bem, palavras em português ao público carioca. Mas momentos especiais como a versão de Billie Jean, de Michael Jakcson, foram de uma surpresa agradável pela forma destoante e tão bem executada da versão tão conhecida pelo Rei do Pop.

A famosa frase, pra não dizer grito de guerra, “Toca Raul” deste que escreve e de muitos outros aficionados encaixou-se perfeitamente ao momento, afinal, Raoul And The Kings Of Spain marca o hit lançado no ano de 1995. Mas infelizmente estava fora do set list, embora Roland tenha dado um rápido e sonoro “Raoooouuuul”.

Foram só seguir hits como Sowing the Seeds of Love, Advice For the Young At Heart, Mad World, Change, Pale Shelter, os acordes característicos iniciais de Head Over Heels, a balada Woman in Chains e o encerramento com Shout que aquela velha história chata da separação do duo cai no esquecimento.

A apresentação foi simples e sólida, regada com jogo de luzes ao telão em sincronia com o áudio que criavam um clima íntimo pro fãs que cantavam. Um fato óbvio foi o problema técnico inviabilizando o áudio por vezes, a falta daquele som esperto de sax (uma pena não ter tido Working Hour no set list, porque fez falta),  assim como de percussão e de cantoras especialmente escolhidas pro backing vocal, típica das apresentações da banda nos anos 90, além da ausência da grande cantora Oleta Adams, impecavelmente substituída pelo músico de apoio, que abriu o show, Michael Wainwright.

Entre as pessoas mais novas a predominância era de uma galera mais madura com sorriso estampado cantando até mesmo aquelas que não chegaram a ser hits estrondosos como Closest Things To Heaven, Everybody Loves A Happy Ending e Secret World, por exemplo.

Embora que muito rápido, cerca de uma hora e quarenta minutos de duração, foi de um momento impar e de muitíssimo orgulho ver de perto os músicos em que tiveram voz nas rádios e LP’s quando éramos todos simples moleques aprendendo sobre o mundo e a vida através das letras dessa dupla britânica.

Se a banda estivesse orquestrada como na Alemanha para o Night Of The Proms, de 2008, o local ideal (talvez) seria o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde a acústica é estrondosa. Mas isso é um devaneio bem forte. Quem sabe numa próxima vez? Certo mesmo é que essa noite é pra ficar guardada na memória.