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Resenha | Star Wars: O Despertar da Força (Sem Spoilers)

A força acordôôô! A Força acordôôô...
2

Review

8.5
8.5

10 anos se passaram desde de a última revisita de Star Wars nos cinemas e muita coisa mudou em nossa franquia do aqcoração. Em 2005 a franquia se despedia fechando um segundo ciclo desta vez indo mais a “fundo” no passado de Darth Vader e nas raízes do implacável império galáctico. Apesar de um gosto amargo deixado por muitos erros que só desmistificaram de maneira equivocada a série clássica de filmes, Star Wars permaneceu muitíssimo cultuado, grande parte disso graças as mídias periféricas como livros, quadrinhos, games sem mencionar na vasta gama de brinquedos e colecionáveis a disposição dos mais ávidos dos fãs, fruto do excelente tino comercial de seu criador. Mas foi em 2012 que os portões da franquia se abriram para infinitas possibilidades, já que George Lucas, em um dos acordos mais inusitados e lucrativos deste segmento, repassou a saga Star Wars para as mãos do estúdios Disney por meros 4,05 bilhões de dólares.

Lucros a parte, Lucas declarou que era a vez de outras pessoas se encarregarem de tocar adiante a continuidade deste universo contando é claro, com o talento daqueles que seriam os escolhidos a dar a sua visão sobre a saga nos anos que se seguiriam. Além de ainda ser considerado consultor dos filmes, seria óbvio que Lucas ainda deixaria presente em Star Wars algum nome de confiança e este é a da produtora Kathleen Kennedy, sempre permeando a sua carreira como amiga e de outro de seus parceiros, o diretor Steven Spielberg. Lucas a escolheu a dedo para tocar adiante os projetos da Lucas Films a partir de 2012 e a Disney, desde que assumiu, apostou suas fichas em seu Midas particular. O Diretor J.J. Abrams.

rey

O Despertar da Força

(Nota: Em respeito a divulgação do filme que dispensou sinopse e aos leitores, nada sera dito sobre detalhes de

Rey, Finn e BB-8.

Rey, Finn e BB-8.

roteiro)

6 filmes são o suficiente para se considerar o que incluir, o que remover e o que deixar em sua próxima sequencia. Os erros e acertos cometidos de 1977 até 2005 compõe a vantagem necessária para que o próximo roteiro fosse o melhor em termos de desenvolvimento para o que seria o primeiro episódio desta nova trilogia. O escritor Lawrence Kasdan ao lado do próprio J.J. Abrams, apresenta a consequente evolução do universo Star Wars, retratada através de homenagens e rimas visuais presentes ao longo dos quase 40 anos de existência da saga. Uma maneira certeira de unir o novo ao clássico e ao mesmo tempo inovando mesmo se fazendo uso de elementos pouco originais.

O episódio VII tem como foco a situação da galáxia e o seguimento dos fatos decorrentes da queda dos líderes do império mostrados em O Retorno de Jedi (1983) e como de fato, isto não representa um golpe fatal em todo sistema liderados até então pelos Siths. Enquanto na trilogia clássica o domínio pendia para os senhores da força sombria, a nova

Poe Dameron, o melhor piloto da resistência.

Poe Dameron, o melhor piloto da resistência.

retratava uma era onde onde os jedis eram maioria e parte fundamental da ordem e da paz na galáxia. O Despertar da Força (Logo no título) deixa óbvio a base para a nova aventura de nossos novos e velhos heróis e vilões que atuam em uma nova era onde a mítica força esteve distante e se ergue aos poucos e de maneiras interessantes.

Impossível não vibrar diante a presença de personagens clássicos como Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca, Leia (Carrie Fisher), C-3PO (Anthony Daniels), R2-D2 e até mesmo do cargueiro YT-1300, mais conhecido pela alcunha de Millenium Falcon, o pedaço de sucata/nave mais rápido da galáxia e ainda assim, todos permanecem atentos sem perder de vista a jornada dos novos personagens compostos por Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega), Poe Dameron (Oscar Isaak) o droid BB-8 e é claro, na nova encarnação do lado sombrio, Kylo Ren (Adam Driver).

O elenco conta com a aquela mesma química onde é necessário pouco tempo em tela para saber que tudo irá fluir

Kylo Ren e a 1ª Ordem.

Kylo Ren e a 1ª Ordem.

muito bem. Talvez este seja um dos fatos do acelerado crescimento de alguns personagens na trama. Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac conquistam os verdadeiros fãs que entendem que a saga se trata de união entre diversidades para que o bem e o lado da luz prevaleçam diante toda e qualquer adversidade.

O Despertar da Força brinca com os elementos de maior sucesso no episódio IV (1977) seja em breves menções, longas homenagens, ligações familiares, desconstruindo personagens, viradas ou apenas invertendo papéis e apesar de alguns confundirem tais elementos como algo de pouca originalidade, isto pode ser apenas o ponto inicial de um novo marco na saga já que muitos destes novos personagens prosseguirão a se desenvolverem nos dois episódios seguintes nos próximos anos. O carinho dedicado ao mítico elemento da Força, é deixado de maneira clara seja na agressividade do lado sombrio (ou negro, como preferir) ou retratado pela fluidez serena do lado da luz.  Segundo o episódio VII, veremos como os representantes de ambos os lados ainda farão a sua escalada no aprendizado das duas facetas da força.

Uma das muitas críticas que a última trilogia rendeu (1999-2005), foi do uso pesado de efeitos visuais em

O real a serviço do imaginário.

O real a serviço do imaginário.

computação gráfica de maneira desnecessária e com uma data de validade muito próxima, transformando Star Wars em uma mera vitrine datada nos dias de hoje. J. J. Abrams e cia perceberam do que a saga necessita, pelo menos em alguma escala mesmo sendo uma fantasia, em ser palpável e calcada no que vemos e vivemos, cunhando definitivamente fortes referências de nossa história e de nosso mundo para dentro da imaginação abundante desta fábula espacial. A produção tem esmero na criação de animatrônicos e maquiagens que representam bem a velha escola de como se fazer cinema assim como o uso do CGI em prol do como se contar uma história.

Por falar em história, nada acima mencionado faria sentido se o maestro John Williams estivesse ausente. Mais uma vez presente aqui para contar a história de Star Wars em música, tornando impossível, mesmo após o término da exibição, a mesma estar presente seja em mente ou sendo cantarolada despercebidamente seja em temas que definem os personagens, situações ou até mesmo na clássica abertura que faz a ansiedade saltar pelas tampas ou pelo encerramento do filme ditando o ritmo do dever cumprido.

Avaliar O Despertar da Força é uma tarefa injusta, pois mesmo funcionando sozinho, o seu contexto dentro desta

Todos estamos em casa Han.

Todos estamos em casa Han.

nova série de filmes pode ditar novos rumos  da saga caso esta for a decisão dos cineastas envolvidos, dedicando a este capítulo o status de ponto de partida, que a exemplo do episódio VI (Uma Nova Esperança) começa pequeno e se torna algo monumental em sua conclusão nos próximos filmes.

Desde 1977, a saga inspira o espírito de aventura e o otimismo entre seu público cativo. Mudou o mundo, o mercado do entretenimento, e principalmente, mudou a forma de como se contava histórias e por isso uma palavra que define o início desta nova trilogia é respeito. Respeito para com o legado, respeito para com os fãs e respeito para algo que deixou de ser fruto da imaginação de um único homem para se tornar algo que vai muito além das fronteiras de alguma mera propriedade intelectual. Star Wars não é apenas de George Lucas, da Disney ou até mesmo do mais recente “salvador” J. J. Abrams, pois a força despertou novamente e Star Wars voltou para onde sempre foi o seu lugar. Na mente e no coração de cada membro da vasta legião de todos os seu fãs!

  • Lucas Breno

    Oliver Perez me representa.

  • Vinicius Gustavo

    Muito Boa !