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Resenha | Super 8

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Se uma coisa J.J. Abrams sabe fazer em todos os seus trabalhos, sejam eles voltados para a televisão ou cinema, é transpor para as telas, grandes homenagens de tudo aquilo que algum dia o influenciou nas áreas da ficção científica e acima de tudo, na aventura. Abrams nos mostrou este espírito quando deu início a séries de mistérios como Lost e Fringe, quando nos mostrou seu lado totalmente adrenalina em Missão Impossível 4 (obviamente sendo impelido pela antiga série de televisão) e principalmente quando reergueu do nada a desesperançosa franquia Star Trek com os velhos personagens e seus velhos elementos mas com um novo elenco e principalmente novas idéias. Por um certo tempo não víamos a boa e velha aventura que acompanhava a infância das pessoas que lotavam os cinemas esperando ser iludidas por boas histórias, um bom elenco e principalmente pela magia do cinema. E neste mês de agosto somos empurrados de cabeça com grande filmes que invocam o espirito aventureiro da Hollywood oitentista. Capitão América foi um destes e definitivamente Super 8 foi o maior exemplo. No verão de 79, o garoto Joe Lamb e seu pai, o delegado de polícia Jackson Lamb, passam por um recente trauma cuja perda não os preparou adequadamente para a relação de pai e filho. Sendo assim, com o passar do tempo, Joe se esconde no aconchego da amizade de seus amigos, nos quais se encarregam de um pequeno projeto para um curso escolar. Um curta filmado em película super 8. Mas nada os prepara para o que está prestes a acontecer. Um descarrilamento de um trem nos arredores de seus “sets” de filmagem e que põe suas vidas em perigo, desencadeia uma série de estranhos acontecimentos na pequena e pacata cidade de Lillian.
Após testemunharem o ocorrido, os mistérios e a forte presença militar na cidade, Joe e sua trupe involuntariamente se aprofundam mais e mais na verdade por trás dos acobertamentos.
J.J. Abrams, apesar de não se apegar a originalidade neste projeto em particular, volta com com alguns recursos utilizados nos antigos filmes de aventura como Goonies, Indiana Jones, E.T. e outros de uma vasta lista de obras da mesma época, sem se apegar muito no positivismo ingênuo de tais exemplos, mas mostrando um trabalho sem arestas e com um roteiro básico mas suficientemente bom para que os demais quesitos andem de mãos dadas rumo a quase duas horas de diversão.
Abrams, a exemplo de grande filmes do gênero, prefere se situar numa área segura, já que tornando Super 8 como um longa de época, dispensa a intromissão dos recursos modernos de hoje como celular, internet e outros que possivelmente comprometeriam a magia que uma produção com a assinatura de Spielberg costumeiramente realiza diante dos olhos do público. Talvez ao se apegar nestes quesitos, o longa demore um pouco mais da conta ao se desenrolar e chegar de maneira ágil ao foco do roteiro, o que ainda assim não compromete o trabalho realizado.
O elenco acompanha muito bem a levada de Super 8. No núcleo adulto Kyle Chandler (King Kong, série Early Edition) e Ron Eldard (Falcão Negro em Perigo, série ER), trazem até uma boa dose de boa dramaticidade ambos desempenhando o papel de pais falhos em um momento crítico na criação de seus filhos. Nestes termos , podemos julgar como sendo um extra, já que o gênero dificilmente exige personagens de composição complexa. Dentre os pequenos talentos escolhidos se encontram Joel Courtney (Joe Lamb) e a atriz Ellen Fanning (irmã de Dakota Fanning) que também adicionam uma boa dose de carisma ao lado dos restantes mas não menos importantes Riley Griffths, Ryan Lee, Gabriel Basso e Zach Mills. Juntos estes compõe a boa e velha mistura de personagens peculiares como os arquétipos do gordo, do galante, do esquisito, do covarde, etc…
Encerrando, como todo e qualquer filme envolvendo alienígenas, mistérios e fantasia, obviamente necessitariam aquele belo auxílio da pós-produção. E como na maioria do conteúdo de seu extenso currículo, a Industrial Light & Magic, empresa de efeitos visuais fundada por George Lucas, transforma uma quantidade significativa de tomadas com imagens CGI, em um coadjuvante bem posicionado, presente apenas para contar uma história cativante. Um detalhe que vale salientar, além da boa trilha de Michael Giacchino (Lost, Star Trek) que pra variar faz o filme fluir de maneira eficaz, é de realmente parabenizar aos departamento de design de som, que deu um show a parte ao ecoar seu competente trabalho pelas salas de cinemas.
Filmes como Super 8, é provavelmente a razão de pessoas se tornarem cineastas e trazerem até o público, aquela dose certa de aventura que há muito nos era negado. O espiríto que provavelmente mostrou a Hollywood o seu verdadeiro propósito dentro da indústria do cinema.

Nota: 8,0

  • Gabrieladelenaforever

    Adorei o filme super 8 e muiiito bom ss2s2s2s2s2s2 😀