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Resenha | Vivo Rio com Rick Astley

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Resenha | Vivo Rio com Rick Astley

AGÊNCIA FOTONEWS EFRAIM FERNANDES_0080Os anos de 1980 são áureos. Uma época de efervescência nas áreas da política, moda, filmes e claro, na música. Época de óculos escuros, penteados e ombreiras, muitas cores, passinhos de dança e de synthpop/dance music. E para a nostalgia de aproximadamente 3 mil cariocas na noite de 12 de Abril, no Vivo Rio, houve o resgate do espírito oitentista com um dos maiores nomes dessa geração: Rick Astley!

De muito bom humor após conceder uma entrevista, Astley e a banda são anunciados, e sobe o tema triunfal de Superman – O Filme, de John Williams. Foi a deixa para gritos histéricos da mulherada, assovios e palmas. Entra o britânico cheio de energia com o clássico Together Forever, seguidas de It Would Take A Strong Strong Man e She Wants To Dance With Me.

Havia eletricidade no ar. Era visível no público a faixa etária dos vinte e poucos anos para cima, uma mistura interessante de jovens e pessoas mais velhas. Astley há anos chegou a desistir do ramo musical, mas graças ao fenômeno Rickrolling, voltou aos palcos.

Basicamente esse fenômeno virou um meme, uma pegadinha. Uma pessoa fornece um link sobre um assunto específico, mas na verdade tratava-se de levar o usuário ao vídeo de Rick. Isso o ajudou a retomar fôlego na carreira musical, e ao mesmo tempo conquistando fãs de faixa etária mais nova.

Muitos tinham as letras na ponta da língua, afinal, são os clássicos que precisam ser tocados já que esta visita trata-se da primeira do cantor britânico! Astley fez um estrondoso sucesso em terras tupiniquins ao final da década de 80, 1987 especificamente, e na de 90 por rádios ou temas de novelas.

O interior da casa de show era quente a ponto do cantor brincar sobre o suor excessivo, já que estava vestido à caráter, pulando e dançando sem diminuir a energia que jogava e recebia de volta dos pagantes.

Um dos momentos especiais foi o cover de When I Fall In Love de Nat King Cole, o qual Astley regravou no primeiro álbum Whenever You Need Somebody. Ao término da canção uma onda de euforia e aplausos pela beleza desta faixa, deixando muitos visivelmente emocionados!

Bastante comunicativo ele pega um LP do álbum de estréia de um dos fãs na platéia. Zomba de si mesmo na foto da capa do disco afirmando que não queria ser um popstar, mas somente um cara que quer cantar. Não à toa, ainda inicio dos anos 90 migrou da dance music para o soul. Isso porque no pop e dance music dos anos 80 havia muito o ato de samplear as canções o que o deixou cansado, e o soul era a verdadeira paixão dele como músico e compositor.

Conforme passam mais hits com belo instrumental da banda que o acompanhava, mais brincadeiras, fez selfies em cima do palco com o público ao fundo e interações. Chamou até mesmo uma fã para cantar e se divertir. Outra de suas piadas foi quanto aos anos de idade, quarenta e oito, o qual o deixava mais cansado. Mas apesar da idade, não há demérito algum. Rick consegue ainda manter o mesmo tom grave nos vocais, característica que trouxe uma ascensão meteórica no cenário musical há três décadas. “Eu quero ver tudo no Youtube já para o dia seguinte”, afirma.AGÊNCIA FOTONEWS EFRAIM FERNANDES_0143

Uma das mais esperadas da noite é Cry For Help, e por mais uma vez é possível perceber olhos marejados em muitas pessoas, embora a ausência poderosa de backing vocals se faz notar, embora tivesse apenas uma cantora cumprindo com competência este desafio musical.

“Vocês gostariam de mais uma música da (gravadora) Motown?” E entra a emblemática My Girl do Temptations, que foi mais um momento que se tornou uma grande reverencia ao passado. Em seguida, batidas eletrônicas, sintetizadores e pulinhos de Astley… Era a cheia de vigor Don’t You Worry Child de Swedish House Mafia. Rolou até mesmo cover de Daft Punk com Get Lucky, que para a surpresa de todos, foi um dos pontos altos da noite.

O final se aproxima e Astley, sai do palco… Retorna para o bis com Whenever You Need Somebody para então cantar à capela como introdução uma parte de Never Gonna Give You Up, depois devidamente acompanhado da banda e com direito à dancinha característica do vídeo clipe.

Antes de sair, afirma que todo britânico quer ver um público o nosso, pelas boas vindas calorosas. “Se voltarmos… Vocês voltam? [público eufórico diz que sim] Então voltaremos no próximo sábado!”, brinca.

Assim, Rick, uma das grandes figurantes marcantes dos anos 80 encerra a noite com muitos agradecimentos, mostrando que o tempo pode ter corrido, mas que ainda há daquela energia fascinante que embalou a infância de muita gente!

 

Fotos: Efraim Fernandes / FOTONEWS