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Resenha | X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

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O Antes…

Antes da chegada da Marvel Studios é uma unanimidade que a franquia mutante X-Men pelos estúdios da Fox foi uma série de adaptações que conquistou o público mesmo fugindo da linha do tempo destes personagens resultando em algumas inconsistências para os fãs mais apegados as  sagas dos quadrinhos.

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A estréia dos X-Men em 2000

Umas das decisões mais acertadas até aqui foi a volta do diretor Bryan Singer responsável por introduzir  a equipe nos cinemas a quase 15 anos atrás e que na época foi uma manobra de coragem dentro do universo de interesses e pressões dos executivos de Hollywood já que a façanha não se tratava apenas  de simplesmente apresentar um grande personagem de enorme tradição dentro de uma mídia, mas muitos deles. Hugh Jackman como Wolverine, Patrick Stewart como Professor Xavier e Ian McKellen encarando o papel do vilão Magneto destroem qualquer prévio preconceito que os mais xiitas dos fãs poderiam ter concebido. Entre outros no elenco estão Fawke Janssem (Jean Grey), James Marsden (Ciclope), Halle Berry (Tempestade) Anna Paquim (Vampira) e Rebecca Romijn Stamos (Mística).

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X-Men: O Confronto Final se perde em muita ousadia.

Passado o grande desafio de trazer os X-Men para às telonas, o segredo era manter a franquia viva com resultados mais expressivos que o seu predecessor e mais uma vez Singer, sua equipe de roteiristas e a predisposição da Fox de entregar outra grande atração surtiu efeito lançando o excelente X-Men 2 (X2 ou X-Men United para os mais exigentes). Novamente Singer ataca com mais personagens da equipe mutante, uma história cativante e muita ação que faz de X2 outro sucesso de crítica e público consolidando o sucesso dos personagens também nos cinemas.

Era óbvio a decisão de se chegar ao terceiro capítulo e a um tom de encerramento de um grande arco. Infelizmente Singer e grande parte da equipe responsável pelos sucessos anteriores ficaram de fora da produção já que assinaram para a produção de Superman: O Retorno, produção que ocorreria simultaneamente  aos X-Men fazendo com que a Fox se decidisse pelo nome de Bratt Ratner para a direção de X-Men: O Confronto Final (2006). Apesar de Zak Penn, um dos roteiristas de X2 ainda permanecer na série, o resultado foi um grande filme de ação mas não um grande filme de X-Men mesmo aproveitando parte de um dos mais importantes arcos de histórias dos X-Men. A saga da Fênix.

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X-Men Origens: O Fiasco!

Variando muito entre erros e acertos algumas decisões tomadas em relação aos personagens colocou em cheque a continuidade da franquia mutante entre as grandes adaptações das HQ’s dado o direcionamento tomado pelo roteiro no último filme onde aparentemente grandes personagens foram sacrificados precocemente. Mesmo assim, O Confronto Final ainda trouxe muitos elementos que faz dos X-Men serem populares entre muitos fãs de todo o universo criado dentro e fora das telas.

Concluída a trilogia, a Fox volta seus olhos para a possibilidade de explorar individualmente os personagens fora do universo dos X-Men e o que a princípio renderia um filme solo de Magneto e suas origens, o estúdio pendeu suas decisões para o nome mais popular de toda a saga dos quadrinhos e filmes resultando assim em X-Men Origens: Wolverine de 2009.

O que poderia ser um grande episódio em potencial tendo em vista o vasto conteúdo original que cerca o personagem, X-Men Origens: Wolverine foi um terrível equívoco de roteiro, elenco e direção. Personagens adicionados a esmo em uma massa disforme de histórias mal encaixadas. Até certo ponto ao se explorar as icônicas “Origens” e “Arma X”, grandes sucessos dos quadrinhos envolvendo o mutante Wolverine, dava-se o ar de uma boa história a ser contada, mas a coisa toda morre por aí. Um grande potencial seguido de um abissal desperdício.

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Franquia explora origens da equipe com elenco renomado.

Passado o baque desta última investida ainda entre os anos de 2009 e 2010 se inicia mais uma vez o processo de divulgações de mais um novo capítulo para a saga mutante nos cinemas e em 2011 chega por sua vez o prequel X-Men Primeira Classe.

Singer retorna como produtor colocando na cadeira de diretor Matthew Vaughn (Kick Ass). Primeira Classe foi muito bem recebido e entre muitos acertos a produção encabeça o elenco com os nomes de James McAvoy como o Jovem Charles Xavier, Michael Fassbender como o Jovem Magneto e Kevin Bacon como o vilão Sebastian Shaw. O filme ainda explorava personagens clássicos como Fera, Alex Summers(mais conhecido por aqui como Destrutor e irmão de Ciclope), Mística (em seu papel a estrela ainda em ascensão Jennifer Lawrence)Banshee e Emma Frost.

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Melhor que o episódio passado pois piorar era impossível.

Apesar do ótimo uso em si da temática  no que diz respeito ao uso da ambientação utilizando a tensão entre nações no início dos anos 60, mais os personagens e histórias dos X-Men o longa passou aparentemente por algumas adaptações desnecessárias quando a própria fonte original já supria diversos elementos com muito potencial em si entrando em contradição em diversos pontos mencionados nos episódios previamente mostrados dando a entender que este não era apenas um prequel, mas talvez um possível reboot de toda a série de filmes. Mas nem isso interferiu nas ótimas cenas típicas de X-Men e no bom entrosamento entre McAvoy, Fassbender e Bacon, fazendo deste mais um sucesso de aceitação.

Em 2013 a Fox decide apostar mais uma vez em uma aventura solo de seu mutante mais popular com Wolverine Imortal . E apesar de explorar a mini série de Wolverine no Japão, o longa caminha bem até 60% de toda a sua duração, descambando para artifícios furados e outra desastrosa série de eventos emendados a um fiapo de roteiro que se prova escasso no último terço de filme.

Entre muitos erros e acertos ao longo dos anos, os fãs da franquia mutante receberam uma grande notícia ao ser anunciado a volta dos X-Men no que seria a adaptação de outro clássico arco dos quadrinhos em Dias de Um Futuro Esquecido.
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O antes, o agora e o Talvez.

Com o anúncio de mais um capítulo, ficou claro que a visita ao passados dos X-Men apresentado em “Primeira Classe” não se tratava mesmo de um reboot,  mas sim parte essencial da linha de tempo mostrada nas adaptações mesmo com muitos eventos dizendo o contrário no decorrer dos filmes.

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O melhor de dois mundos.

X-Men: Dias de um futuro Esquecido se tornou dentre muitas outras uma das mais importantes sagas do X-Men apresentada logo no início dos anos 80 e dando sequência a um impressionante arco de histórias que vinham desde que o escritor Chris Claremont assumiu o argumento em meados dos anos 70 revolucionando o universo mutante nos quadrinhos. Diga-se de passagem, a franquia de filmes dos X-Men faria um bom uso dessa revolução.

Bryan Singer volta à direção daquilo que ele mesmo começou anos atrás e aproveitando os X-Men de hoje e os do passado surge mais uma adaptação digna dos quadrinhos da Marvel.

Em tempos pós apocalípticos, os mutantes são caçados pelos sentinelas, máquinas  programadas para exterminar a suposta ameaça do homo superior. A margem de sua própria extinção, o professor Xavier e os X-Men decidem “enviar” Wolverine de volta ao passado em uma tentativa desesperada de impedir os eventos que resultaram nos catastróficos dias que selaram o destino de mutantes e humanos.

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Colossus vs. Sentinela

Respeitando a essência de Dias de um Futuro Esquecido, Singer faz com que os X-Men voltem em grande estilo para às telonas. Com o roteiro escrito por Jane Goldman e Matthew Vaughn (Diretor de Primeira Classe) e adaptado por Simon Kinberg, a nova e ousada investida mutante aproveita o melhor dos dois mundos criados para os mutantes nos cinemas.

O elenco, já há muito habituado aos seus papeis, até mesmo os de menos destaques, retornam com muito conforto aos sets. Novamente os jovens Xavier,  Magneto e Wolverine (é claro, que assume o lugar da mutante Kitty Pride da trama original) voltam a ser destaque nesta história repleta de boas sequências de ação e roteiro, sacrificando bastante a participação de Stewart e McKellen como os respectivos Xavier e Magneto do presente, mas que mesmo assim já assumiram a grandeza de seus personagens e que mesmo com pouco tempo em tela são mais que suficiente para endossar mais esta guinada na saga de filmes apresentados até aqui.

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Patrick e McAvoy como Professor X

Mesmo com os elementos fantásticos explorados na história e no visual, tudo isso é muito bem equilibrado com a participação do elenco que humaniza muito os personagens. Méritos para os competentes McAvoy, Fassbender e quem diria Hugh Jackman que personifica  Wolverine pela sexta vez nos cinemas. Jennifer Lawrence complementa o elenco com uma Mística ainda indecisa entre o bem e o seu ingresso na irmandade mutante. Peter Dinklage atua  como o Dr. Bolivar Trask, óbvia adição visto sua notoriedade a cada temporada de Game of Thrones, sendo aqui personagem chave dos acontecimentos futuros e pela concepção das máquinas conhecidas como sentinelas, projeto que ainda pende pela aprovação do congresso americano e o que representa a maior ameaça a frente mutante no passado. Infelizmente para Dinklage, o desenvolvimento da história e a importância dos demais personagens apaga um pouco a sua passagem neste capítulo. Ainda no elenco Halle Berry (Tempestade), Ellen Page (Kitty Pride), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Nicholas Hoult (Fera), Omar Sy (Bishop) , Evan Peters (Mercúrio), Daniel Cudmore (Colossus) entre tantos outros que completam o exército de mutantes presente em Dias de Um Futuro Esquecido.

“…a nova e ousada investida mutante aproveita o melhor dos dois mundos criados para os mutantes nos cinemas.”

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Os sentinelas versão 1.0

Este novo capítulo dos X-Men prova que um roteiro consistente pode levar para às telas histórias mais voltadas para o fantástico desde que se respeite uma certa verossimilhança. Singer entrega com louvor mais uma vez um episódio digno de sua própria obra ao honrar tudo que era relevante dentro da franquia. Este pode não ser o filme perfeito, mas funciona muito bem em termos de dinâmica e dá novo fôlego aos X-Men que voltam aos eixos nos cinemas caso for a decisão de prosseguir. Infelizmente falar mais só resultaria em revelações que não cabem aqui. Corra para os cinemas!

  • Ânderson Cardoso

    Este filme é espetacular, assisti hoje e após o termino quis voltar e pegar a sessão de novo. Cada vez mais eles inserem o desenho dentro do filme, é como ver o desenho antigo totalmente vivo na nossa cara. Bryan Singer é o cara!!

  • Efraim

    Foi a primeira vez que realmente saí pilhado depois de ver um filme do X-Men. Conseguiram costurar algumas pontas soltas e podem contar outras estórias além daquela fica clara na cena pós-crédito. Me diverti vendo esse filme!