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Resenha | Inferno de Dan Brown

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Dan Brown divide opiniões. Alguns amam, outros reclamam e a maioria dos críticos odeia.

Pessoalmente não sou fã de Brown, sendo este o terceiro livro que li do autor, mas isso não quer dizer que não goste de seu estilo, pelo contrário, leio porque gosto, mas não o levo muito a sério e evito ansiar por algo mais profundo do que ele nos apresenta.

Gostemos ou não, qualquer nova publicação de Dan Brown atrai uma atenção enorme da mídia e dos leitores, neste caso o hype foi ampliado pelo clima de segredo e mistério envolvendo a tradução. Para Inferno, os tradutores ficaram praticamente presos num bunker perto de Milão, sem contato com suas famílias, com as refeições supervisionadas, trabalhando exclusivamente com a tradução do livro, para que as versões em outros idiomas fossem lançadas simultaneamente com o Inglês. A princípio, considerei um pouco de exagero, confesso. Mas depois de ler o livro, percebo que ele quis preservar ao máximo o mistério para bem dos próprios leitores.

Além disso, mesmo que suas publicações possam conter muitos clichês e descrições ou fatos históricos não tão precisos, como alegam alguns críticos, os leitores que gostam de uma boa história de suspense, não se importam com isso, porque Dan Brown tem uma qualidade distinta: consegue fazer um “page turner” como poucos, ou seja, assim que começamos a leitura, queremos saber o que acontece a seguir e vamos virando uma página atrás da outra. Fato é que este é um autor que sabe criar um suspense.

Diferentemente dos seus anteriores, este livro não lida com uma teoria de conspiração ou ordens secretas iniciadas em séculos passados, mas sim com uma ameaça moderna.

Com o mistério todo estruturado na Divina Comédia (Dante Alighieri) com foco  na parte do Inferno, Brown construiu um enredo dinâmico e diferente. Como não analisou a obra de Dante tão de perto, o enredo ficou mais leve, e avançamos rapidamente na leitura pela velocidade e diversão impressas.

113096580SZIniciamos com Robert Langdon, simbologista renomado e professor de Harvard, acordando em um hospital em Florença, sem memória de como chegou à Itália e o que estava fazendo ali. Imediatamente somos apresentados à Dr. Sienna Brooks, médica inglesa misteriosa e com QI altíssimo, que o informa de que chegou ao hospital com um ferimento à bala na cabeça e o ajuda a escapar de Vayentha, uma assassina com cabelo espetado que quer matá-lo.

Em seguida, Langdon descobre um pequeno dispositivo em seu bolso, contendo uma versão digital das ilustrações de Botticcelli para o Mapa do Inferno de Dante. As pistas na imagem o levam a iniciar uma corrida junto com Dr.Sienna por cenários turísticos, perseguido agora não só por Vayentha e pela polícia, mas também por um grupo especializado. Enquanto foge, tentando descobrir no que estava envolvido, desvenda uma pista atrás da outra, e descobre aos poucos que está correndo contra o tempo para evitar uma tragédia global provocada por Zobrist, um cientista um tanto quanto louco, obcecado com a superpopulação no mundo.

Outras pistas, personagens e localidades são inseridas ao longo do enredo, com belíssimas cenas em Florença, Veneza e Oriente Médio, provavelmente pensadas para o cinema.

Como é o estilo de Brown, a simbologia e a criptologia são ferramentas para o desenvolvimento do mistério, assim como a memória eidética de Langdon, muito conveniente, por sinal.

Não vou escrever muito sobre a trama para manter o suspense, apenas basta dizer que é realmente prazeroso e ainda propõe um questionamento ao leitor sobre o futuro de nossa vida neste planeta e prováveis conflitos para as próximas gerações.

Apesar das descrições de monumentos e arquitetura, o texto não fica monótono e o livro é ação do começo ao fim com muitas reviravoltas na trama.  Os personagens são construídos em medida certa para não diminuir a velocidade do livro ao mesmo tempo em que nos permite criar empatia.

Não é um livro para agradar doutores em Literatura ou magistrados das artes, mas sim para quem quer estar absorvido em uma boa história. No momento em que Langdon abre o olho no início do livro, estamos capturados.

  • Começar a ler agora…

  • Acabei de ler hoje. Realmente não me importo com a precisão dos detalhes históricos e sim com a história.
    É um excelente livro, mas ainda inferior a Código da Vinci e principalmente ao Anjos e Demônios.
    Prof Langdon está ficando velho.

  • Carol Siqueira Tradutora Juramentada

    Olá Mau Franco, realmente não é melhor que Código. Infelizmente não li Anjos e Demônios. Vi o filme mas já me avisaram que não se compara.
    Obrigada por comentar.