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Resenha | Lanterna Verde

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Harold Jordan, ou como é mais conhecido, Hal, era um piloto de testes da companhia de aviação Ferris, e teve seu destino radicalmente alterado quando se deparou com um alienígena a beira da morte chamado Abin Sur, cuja incumbência designada a um anel de poder em sua posse, era a de encontrar uma pessoa honrada e desprovida de medo para herdar o poderoso item assim como suas devidas responsabilidades.Sendo assim Hal Jordan, ingressa em uma espécie de polícia intergaláctica responsável pela monitoração e proteção do setor 2814 (onde se situa o planeta terra), um dos 3600 definidos pelos guardiões residentes no planeta Oa, poderosas entidades alienígenas responsáveis por confeccionar os anéis e distribuir aos responsáveis por cada setor.

Uma sinopse de poucas linhas sempre foi algo difícil quando falamos deste clássico herói da DC Comics devido a sua mitologia sendo que a única coisa que fez com o passar de décadas  foi crescer. Ainda mais se falarmos em uma adaptação que contenha todas suas características de maneira coesa na película em menos de duas horas de duração. Bem, e é justamente por aí que os problemas começam.

O filme obviamente se concentra no Lanterna Verde mais conhecido, Hal Jordan, personagem que nos quadrinhos veio a aparecer  na década de 60, na chamada era de prata dos super heróis. (O Lanterna Verde original Alan Scott foi criado em 1940, mas o conceito passou por uma pesada revisão até o que conhecemos hoje como a Tropa dos Lanternas Verdes. O próprio Alan Scott passou por uma revisão para se encaixar na mitologia de hoje).

No longa dirigido por Martin Campbell, Hal se vê entre um dos maiores desafios de sua vida, enfrentar a entidade Parallax, personificação do medo e também conhecido pela tropa como a impureza amarela, o calcanhar de Aquíles dos Lanternas Verdes, e que a propósito, se dirige para a terra.

Muito do que foi mostrado nesta adaptação foi bem fiel às origens do personagem e sua mitologia, mas para sua infelicidade, é justamente aí, que os infortúnios do filme começam.

Lanterna Verde conta em seu elenco com Ryan Reynolds (Hal Jordan), Peter Sarsgaard (Dr. Hammond), Blake Lively (Carol Ferris) e Mark Strong (Sinestro) no núcleo principal, e de todos os personagens em questão, o único divertido e convincente fica por conta de Sarsgaard com sua versão do Dr. Hector Hammond, que ganha seus poderes telepáticos e telecinéticos após o contato com a radiação amarela presente em resíduos alojados no corpo do falecido Abin Sur.

A Ameaça Parallax

No intento de realizar um filme menos denso, ao contrário da nova e bem sucedida franquia de Batman, a direção falha na visão de um Hal Jordan menos responsável e piadista, no melhor estilo Ryan Reynolds de ser. Um passo em falso? Talvez não em teoria, mas foi algo que simplesmente não funcionou na película e que além de tudo, só foi somando nos demais excessos e equívocos desta adaptação, ou melhor dizendo, na falta de uma adaptação. A tão falada diferença de mídias que sempre comentamos realmente se aplica aqui. Elementos dos quadrinhos e animações realmente não funcionam em um longa “live action” do herói que por muitas vezes passa do ridículo. Personagens como Carol Ferris (Lively) e o senador Hammond (Tim Robbins) não acrescentam carisma nenhum, ainda mais em uma série de falhas consecutivas tanto de direção, atuação assim como também de roteiro.

Um dos poucos bons momentos de Lanterna Verde se passam justamente onde a ação não acontece. No planeta Oa, onde toda a mitologia do personagem é enriquecida em poucos minutos por cenas compostas por tomadas totalmente geradas por computação grafica. Oportunidade única em que foi bem demonstrado a extensão da tropa dos Lanternas Verdes, que a propósito, tem seus poderes condizentes com os cenários digitais de Oa, (e que caem bem na exibição em 3d) o que realmente não funcionou quando a ação se passou na terra tornando o super herói um piada fora de hora e de mal gosto. A solidificação da força de vontade de Hal Jordan com a energia verde do anel foram realmente dignas das melhores sequências Looney Toones, onde notamos aqui, a completa falta de bom senso e principalmente de adaptação. Destaque para Mark Strong cuja personalidade deu força ao personagem de Sinestro, e os demais que tiveram uma curta participação como Tomar-Re (Geoffrey Rush) e Kilowog (Michael Clark Duncam). Mas fora isso, nem mesmo a pós produção salvou Lanterna Verde, já que seu trabalho não foi homogêneo ao longo da exibição. Pois é! Até mesmo os efeitos visuais, que nesta última década despontaram pela sua qualidade sendo seus respectivos filmes bons ou não, aparentemente dispensaram a supervisão necessária, e isso se nota quando o roteiro (se encontrar) se volta para o ocorrido no planeta terra.

Fala sério!

Se na adaptação, direção e caracterização de personagens o longa desaponta, espere menos ainda do roteiro, que nitidamente Greg Berlanti e Michael Green estavam com alguma pressa desmedida de concluí-lo. Cenas passaram a esmo e tudo acontecia de maneira muito rápida sem aquele momento de desenvolvimento de trama que estamos habituados em bons filmes, seja qual for o gênero.

Infelizmente a especialidade em filmes de ação do diretor Martin Campbell, que divide sua carreira com trabalhos ótimos e horríveis (007 – Cassino Royale foi um de seus bons resultados) não foi o suficiente para dar cabo da tarefa de adaptar um dos mais tradicionais personagens da DC Comics. Talvez pelo pano de fundo intrincado dos quadrinhos, ou simplesmente pela falta de adaptar uma história.

Ao contrário de Batman, que se humaniza através do completo altruísmo e sacrifícios pessoais e de Superman, um alienígena que sempre quis ser humano pelo tamanho amor que tem por esta raça, sendo que ambos já tiveram sua cota de filmes bons, Lanterna Verde falha por tentar tornar o seu herói humano em alienígena e acima de tudo, em uma mera peça de ação jogada a esmo nas telas.

Nota: 3,5

  • Acho pouco para um herói tão mal planejado em ser adaptado para os cinemas. A DC tem a mania de não querer ser uma Marvel nas telonas e era por causa disso.

    A DC sempre quis fugir do humano e partir para o alienígena e, quase sempre, se dá mal. Lanterna é um filme razoável que passaria percebido, caso dessem um mérito para outro elenco.

  • Ulisses Peixoto

    Mestre Oliver Perez: trollando expectativas desde mil novecentos e carbono 14.
    Acho que vou assitir hoje só pra concordar com você.

  • Felipe Santana

    Mesmo após a sua crítica “cruel”, ainda estou com vontade de assistir, mas somente por pura curiosidade! Afinal de contas, não posso falar mal sem assistir.

  • Professor L

    Concordo com o que disse.
    O final do filme também achei muito estupido, tudo acontece rápido, não tem muita emoção…