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Resenha | O Planeta dos Macacos: A Origem

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Como grande maioria dos clássicos dos estúdios Fox, se houve sucesso uma vez nos cinemas, há chances de se sairem bem em uma, duas, três ou quantas vezes for preciso em nome de grandes arrecadações. Assim foi como muitas de suas atrações e assim se persiste com a franquia Planeta dos Macacos desde 1968, que a propósito, não precisa ser grande nem mesmo em termos de números. Desde o primeiro filme de 68, clássico da ficção científica com Charlton Helston no elenco, Planeta dos Macacos rendeu ao longo do tempo sete longas. Sendo as primeiras quatro seqüências quase uma série consecutiva dado a freqüência em que saíram ( Planeta dos Macacos – 1968, De Volta ao Planeta dos Macacos – 1970, A fuga do Planeta dos Macacos – 1971, A Conquista do Planeta dos Macacos – 1972, A Batalha pelo Planeta dos Macacos – 1973 sem mencionar produções televisivas).

O clássico original de 1968

Passadas quase três décadas depois da última investida nos cinemas, o diretor Tim Burton traz para as telonas em 2001, uma espécie de releitura do primeiro filme com alguns fios ligados a uma possível origem da mitologia da cine série. Trabalho no qual escancarou as portas para a onda de prequels, remakes e reboots de várias obras dos cinemas do passado. Tim Burton, neste retorno a franquia, contou com um elenco cheio de estrelas que dentre elas estavam Mark Wahlberg, Tim Roth, Helena Bonham-Carter, Michael Clarke Duncam, Paul Giamatti e outros. Apesar da boa pós produção, cenografia , maquiagens, e até mesmo um roteiro com potencial, o produto final foi totalmente previsível e o desenrolar da trama muito maçante. O suficiente para encerrar a série em questão, certo? Talvez sim, mas o “não” foi à alternativa escolhida pela Fox.

O Planeta dos Macacos de Tim Burton

Após dez anos, os símios voltam mais uma vez na pauta do estúdio, e não sabemos ao certo o motivo depois de tanto tempo e fracassos acumulados. Não sabemos se tal decisão foi baseada na tecnologia atual em efeitos visuais, ou na real possibilidade de contar um história cativante com o mesmo tema abordado durante décadas. E eis o resultado. O Planeta dos Macacos: A Origem, dirigido por Rupert Wyatt (sendo este o maior projeto em sua carreira) que marca o retorno da série aos cinemas com o elenco composto por James Franco (127 Horas), Freida Pinto (Quem quer ser um milionário), John Lithgow (3rd Rock From the Sun, Dexter), Brian Cox (X-men 3), Tom Felton (Franquia Harry Potter) e David Oyelowo.

O cientista Will Rodman (Franco), muito mais por razões pessoais do que profissionais, lidera avidamente uma equipe em busca da cura do Alzheimer em nome de uma grande farmacêutica cujos experimentos são realizados em macacos. Apesar dos resultados totalmente promissores, inconvenientes levam o laboratório a encerrar as pesquisas. Secretamente Rodman adota um chipanzé fruto de tais pesquisas em sua casa, observando diariamente a espantosa evolução da inteligência do animal. O que ele não sabe, são as conseqüências que tal ato de protecionismo irá desencadear no futuro próximo da humanidade.

Conforme o trailer divulgado meses atrás, o filme tinha um certo potencial devido a mudança de foco da eminência de uma dominação global por símios, e já mostraria ao que veio principalmente na parte técnica, já que adotou a empresa WETA Digital (Senhor dos Anéis e King Kong) como a grande responsável pelo estilo visual do filme. O trailer foi atrativo, isso é fato, mas o grande ponto negativo da vez foi de que realmente o longa não surpreendeu muito mais do que o próprio material de divulgação.

A Origem, busca ser menos ficção cientifica e mais orgânico, mesmo abordando o fato do composto responsável pela mutação dos macacos, o que na verdade ajuda a diferenciar este episódio dos demais. Obviamente o filme não visa arrancar grandes pérolas de direção e atuação como já podemos supor desde a primeira sequência dos planetas do Macacos já feita, mas se torna evidente a escalação de James Franco para ressaltar a relação com o seu querido pai enfermo, ou com o carinho recíproco demonstrado pelo chimpazé batizado de Caezar. No elenco ainda contamos com a boa presença de John Lithgow como Charles Rodman, pai de Will, e um professor de música que sofre as agruras do Alzheimer. Podemos conferir também a atriz indiana Freida Pinto, cujo personagem sofre com a falta de um pouco mais de desenvolvimento em nome da boa dinâmica do longa, visto que depois de Franco e Andy Serkis (Novamente responsável pela animação do personagem através da captura de movimentos como o chimpanzé Caesar), é o nome que mais tem exposição. Já nos papéis que não surpreendem temos Tom Felton, o Draco Malfoy da série de filmes baseados nos livros de Harry Potter e que faz exatamente o mesmo tipo de personagem que já o vem marcando nos últimos dez anos, o que também é o caso do veterano Brian Cox.

Mas se A origem não marca pela surpresa ou por alguns dos seus personagens com certeza se destaca no ritmo das cenas, no suspense, na ação e no esmero da pós produção, que tenta, com muito esforço, com que sua tecnologia no uso da computação gráfica, arranque de seus personagens inseridos, a emoção outrora inexistente das pesadas máscaras usadas pelo elenco. Por vezes é óbvio a presença dos efeitos visuais nos personagens, claro, a tecnologia não chegou totalmente lá ainda, mas são dignos de serem conferidos diretamente nas telonas.

O Planeta dos Macacos: A Origem, apesar de não ditar regras no quesito surpresa, veio para renovar a série trazendo o esmero de sua produção, a carisma de atores e personagens e com certeza com o dinamismo de uma história cujos excessos desnecessários por vezes presentes na ficção científica foram limados em prol da objetividade. Um filme que honrou o primeiro da série em 1968 com cenas cheias de referências ao mesmo e que diga-se de passagem, conseguiu se impor diante de 4 sequências passáveis e um intento de remake depois de sucessivos fracassos que vem ocorrendo desde o início dos anos 70.

Uma das frases de slogan para o novo longa se reflete na sua própria condição. A evolução se torna a revolução. Vale como filme, vale como prequel e definitivamente vale o ingresso.

Nota: 7,5

  • Legal.
    Uma resenha um pouco mais científica do filme pode ser lida aqui:
    http://biodevaneios.blogspot.com/2011/08/resenha-do-filme-planeta-dos-macacos.html

    abraços

  • vernaldojr

    filmaço mesmo oliver,altamente recomendado….

  • Felipe Santana

    Parabéns pela crítica, bem escrita, coerente, padrão nerdrops assegurado.

    • Karol Santana

      oi Felipe Santana concordo com vc!!! bjss

  • adriany

    O filme foi massa,muito bom, parabens para o diretor e para os que participaram.

  • maysa

    o filme planeta dos macacos origem e muito show e bom.