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Resenha | Homem de Ferro 3

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Mesmo cambaleando como a Mark 42 ao final do filme, existem atrativos fechando a trilogia.

Shane Black é um roteirista que sempre deixou bem marcado o humor enraizado nos contos de ação, vide a franquia de Máquina Mortífera ou o filme O Último Boy Scout. O humor é executado como válvula de escape no momento exato após uma descarga de adrenalina ou ainda durante momentos tensos sob fogo cruzado.

Beijos E Tiros (2005), estrelado por Val Kilmer e Robert Downey Jr (primeiro filme o qual Black dirige), é um exemplar de que mesmo após anos longe das telonas ainda sabia manter o equilíbrio entre adrenalina e momentos satíricos.

Então, Black retorna dirigindo a produção de Homem de Ferro 3 no ano em que o personagem completa meio século de vida. O filme é a adaptação baseada no arco de estórias Extreme dos quadrinhos, mantendo a fórmula ‘blackiniana’ da ação/comédia, navegando entre erros e acertos bem marcantes.

A fita começa com Tony (Downey Jr) narrando em off num claro estresse pós traumático sobre as experiências da nova afronta do terceiro filme e os acontecimentos extraordinários ocorridos em Nova Iorque em Os Vingadores. Em meio à frequentes ataques, e à deuses, aliens, existência de novos mundos,  de “gente que não pode ser superada” como dito por Nick Fury em Avengers, a verdade é que Stark é homem dentro de uma ‘lata’ que precisa proteger a si mesmo e a quem mais ama: Pepper Potts (Gwyneth Paltrow, que ganha grande destaca neste capítulo cinematográfico). As experiências deixam o protagonista em um ataque de ansiedade, após ter entrado num ‘buraco de minhoca’ e quase não ter retornado à Terra.

Sem dormir, pensando na segurança e como forma de ‘tratamento’ para ocupar a mente a fim de não surtar de vez, desenvolve novas tecnologias e mais de quarenta armaduras, uma delas a Mark 42, todas ligadas diretamente à mente de Tony. Com o pensamento ele pode comandar os trajes à distancia e preparar-se para batalha, tendo seu exército particular de homens de ferro.

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A constante ameaça agora é vivida pela figura do Mandarim (Sir Ben Kingsley), um vilão repleto de iconografias e elementos ocidentais como afronta aos Estados Unidos, o realizador de atentados em todo o mundo e solo norte americano. Quando o amigo e ex segurança de Tony, Happy Hogan (Jon Favreau), é atingido em meio ao fogo cruzado, Stark embarca numa jornada pessoal ácida de vingança contra o mentor dos ataques terroristas dando inclusive o endereço da mansão aonde mora para resolver as coisas (se isso não é ter colhões, não sei o que é).Homem-de-Ferro3-Mandarim-02nov2012-01

Porém, é nesse momento em que começam as pequenas falhas no roteiro: Black não dá espaço para o clímax dramático e já corta para piadas e tiradas engraçadinhas. Não há tempo para o espectador sentir a elevação emocional, embora as fragilidades do lado mais humano de Tony Stark estejam expostas.

A figura ameaçadora do déspota (ou ‘professor’, como chama a si mesmo) no suposto clímax da narrativa, desenvolvida por BlackDrew Pearce, é subaproveitada na trama apesar da ótima interpretação de Kingsley. Com isso, para os fanboys, é negligenciada da a origem da figura Mandarim e a existência dos Dez Anéis, organização pincelada no primeiro filme do ferroso nos cinemas. Lembrando que se faz necessário adaptar aqui este personagem de procedências fantásticas que talvez não caibam dentro da cinematografia estabelecida de Homem de Ferro, baseada na tecnologia de um ‘mundo real’.

Aldrich Killian (interpretado por Guy Pierce) e Maya Hansen (a atriz Rebecca Hall), formam um pilar de base fundamental para o desenvolvimento da tecnologia Extremis usada em humanos, que destoa um pouco do já estabelecido ‘mundo real’ de Homem de Ferro, e têm importância para a conclusão da narrativa.Imagens-do-trailer-Homem-de-Ferro-3_f05

Homem-de-Ferro-3-24abr2013-01Mudanças à vista são incorporadas para o Coronel James Rhodes (Don Cheadle) que de ‘Máquina de Combate‘ passa a se chamar ‘O Patriota de Ferro‘, por ser mais politicamente correto e menos agressivo, uma ótima forma de propaganda política. Mas a mudança não lhe rendeu bom aproveitamento, infelizmente. Mais sorte num futuro filme solo, quem sabe?

As cenas de ação são de encher os olhos com todo o poder bélico das armaduras, mas o que surpreende é ver Tony em cenas de ação sem o traje, como na invasão à mansão do Mandarim, derrubando um a um todos os guarda-costas do seu nêmeses.

Em suma, Homem de Ferro 3 é puro entretenimento e tem lá seus momentos de glória! Mas igualmente à essa proporção é a jogada falha (quase suicida) no tabuleiro com as superficiais menções ao “cara do martelo”, o “buraco de minhoca” e a palavra ‘Vingadores’. Falta densidade para relembrar a importância da simbiose das franquias dos super-heróis graças a Nick Fury e a S.H.I.E.L.D., organização que sequer é mencionada aqui.

Nem mesmo a cena pós-crédito que justifica o porquê da narrativa em off da personagem de Downey acrescenta ou dá pistas do que irá acontecer daqui pra frente em futuros filmes. É preciso cuidado já que não estamos falando somente do fim de uma trilogia divertidíssima, mas também do começo da Fase 2 da Marvel nos cinemas.