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Resenha | Dragon’s Dogma

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Com a direção de Hiroyuki Kobayashi, produtor de jogos como Resident Evil 4 e o Devil May Cry 4, Dragon’s Dogma (PS3 e Xbox360) teve todas as fichas apostadas pela Capcom para ser um grande sucesso. É um jogo realmente grande (são mais de 100 horas de jogo, fora os DLCs online!) e com possibilidade de mudanças durante a narrativa, de acordo com a escolha de cada jogador (seremos heróis ou vilões??).

Como destaques, não ficam apenas o ambiente em que o jogo se passa (cenários gigantescos, história envolvente), mas também pelo sistema de jogo em parceria, que coloca o jogador junto de um parceiro na exploração deste mundo virtual. Assim, será possível customizar dois guerreiros, você e seu fiel escudeiro, para atender as necessidades e ajudar o jogador durante a aventura.

Hiroyuki Kobayashi, criador de Dragon's Dogma

Hiroyuki Kobayashi, criador de Dragon’s Dogma

Como assíduo “RPGista”, caçador de dragões credenciado (amo e odeio estas criaturas!!), e mais um dos órfãos ficcionados por Senhor dos Anéis (sou um guarda da cidadela!!), sempre estive acostumado a estar em cidades medievais, em meio a espadas, criaturas mágicas e dragões. Quantas vezes já me vi caçando um troll ou lutando contra orc’s e lobos selvagens?? Ou ainda lutando pra me defender de um dragão maldito que eu teria que matar?? (Quando comprei Skyrim, fiquei tão aficionado que virei o jogo em 3 semanas!! 100 horas em 3 semanas!!!).

Foi a partir desse meu gosto pelo medieval, e querendo um novo desafio, que entrei no universo de Dragon’s Dogma, e foi neste universo que fui surpreendido novamente.

À primeira vista, o game não se difere em nada dos demais jogos do genêro. Para quem já visitou outros cenários da mesma temática, esse parece no começo apenas mais um para marcar em seu passaporte de aventureiro. Mas não se engane, esta jornada merece e muito a sua atenção.

Ficou claro que a Capcom quis, com esta nova série, aproveitar tudo aquilo que jogos como The Elder Scrolls e trouxeram ao gênero para construir algo que seja familiar mas igualmente interessante e desafiador ao jogador, tentando criar um mundo onde o ‘mais do mesmo’ se tornasse novo, unindo as já ‘funcionais’ com novas características e inovações, te fazendo realmente querer participar deste universo!!

De volta aos grupos de RPGs!!

A primeira coisa que nos vem à mente quando falamos em um mundo fantástico é um grupo de aventureiros enfrentando os perigos em uma jornada qualquer, certo?

Pois em Dragon’s Dogma isto foi levado a sério, e o jogo, em sua primeira inovação, tem um sistema ótimo chamado de “Pawns” (“Peões”). Neste sistema, você pode escolher mais 3 personagens para andar com você o jogo todo, sendo um fixo, que você cria da maneira que quiser, e dois variáveis, que você vai escolhendo durante o jogo, ou no meio das estradas, ou em um acampamento, ou da maneira principal, pela “Pedra dos Pawns” (não este nome, mas eu chamo assim!), onde você pode escolher seus companheiros por tipo, classe, level..e etc.

Arte conceitual de Dragon's Dogma

Arte conceitual de Dragon’s Dogma

Estes peões te acompanham em tudo, vão onde você vão, e te obedecem (quase sempre), e apesar de a inteligência artificial do jogo ter algumas ‘falhas” (Meeu DEUS!! Porque se jogar de uma torre atrás de um inimigo caindo? Me diz! Por quêêêê???), eles são uma ajuda ótima, e te fazem realmente se sentir dentro de um grupo a lá Senhor dos Anéis!

Mas o melhor, a grande sacada deste sistema de Pawns, é que todos eles vem de ‘de outra dimensão’ – dimensão esta que na verdade são os jogos de outras pessoas. Isto mesmo: os parceiros fixos que você cria serão os peões de outros jogadores! Então, no modo online, o que você encontra disponível são os parceiros de outros jogadores, com níveis por vezes maiores que o seu, e que já fizeram determinada missão.

Os peões, conversam entre si durante o caminho, e se você tiver um bom inglês, vai conseguir dicas valiosas sobre como completar as missões, ou ver conversas inúteis como “Que belo pássaro! Ora, não é um pássaro, é uma harpia! Vamos matá-la!”), ou ainda pode conseguir itens especiais que só outros jogadores mais avançados tem!

Isto faz com que você realmente se sinta em uma mesa de RPG com seus amigos !!!

Mas vamos a história…afinal..é ela que realmente interessa…..

Uma história realmente cinematográfica!!

 No jogo, você é Arisen (você até vai escolher um nome para seu personagem, mas será sempre chamado de Arisen!! Mas é mais como uma referência, tipo “Escolhido”…), um personagem ao mesmo tempo abençoado e amaldiçoado, envolto em uma jornada épica por um mundo fantástico, cheio de criaturas sinistras e masmorras esperando para serem desbravadas.

Arisen e um "Pawn"

Arisen e um “Pawn”

Abençoado pois você é parecer ser conhecido e respeitado por todos!! Todos o querem, todos o conhecem… Afinal… Você é amaldiçoado pois está ligado a um dragão!!! Um dragão milenar!!!

Este dragão foi “despertado” por alguém (não vou contar, não vou contar!), e por coincidência/clichê do destino, este dragão marcou você (Eu!!), roubando seu coração, te transformando em uma espécie de “horcrux” dele (quem assistiu Coração de Dragão entenderá!!), e ainda por cima some (Sem vergonha, leva meu coração e vai embora?).

Agora, você tem que correr para recuperar seu coração, e matar esta criatura, só que no caminho, vai passar por todo tipo de masmorras, castelos, cavernas, rios, e enfrentar trolls, ciclopes (sim!), golens (destrua as pedras brilhantes!), hidras (siiim!), grifos (siim! siim!) e até quimeras (siiiiiiiiiiim!!!). Vai se aliar a um rei, a um sacerdote, e a uma caçadora (Ahhh…Mercedes!), e vai ter que escolher quem você vai salvar, e vai se decepcionar ao descobrir ‘traidores’ neste meio!

Emoção, ação, aventura, enredo e cenários incríveis, e 100 horas de missões alternativas, ufa, é muita coisa hein!!

No centro da batalha

Dragon’s Dogma traz tudo o que foi mencionado anteriormente de uma maneira descomplicada e que flui muito bem.

Para isso, ele traz um pouco da jogabilidade fácil e direta nas batalhas, em que você tem apenas dois padrões de ataque: o forte e o fraco (quem já jogou “O Senhor dos Anéis: A guerra do norte” vai se sentir em casa!).

A partir disso, você pode criar combinações de movimentos para realizar golpes especiais e causar mais dano no que aparecer na sua frente, e durante o jogo, conforme você vai evoluindo, você ainda pode comprar mais ataques e defesas, e fazer combinações ainda mais forte, sem contar que pode mudar sua classe (De cavaleiro para cavaleiro/mago ou para Ranger!!), e aprender mais ataques ainda!! São possibilidades quase infinitas!! (Jogue seu parceiro para cima com um escudo, e depois enfie sua espada dentro de um inimigo, e veja seu parceiro cair sobre ele para finalizar um dos ataques mais legais que eu aprendii!!)

Porém, se você não se sentir atraído, afinal este sistema não é novidade, que tal você adicionar um confronto com inimigos gigantescos, criando uma experiência próxima da de Shadow of the Colossus?

Batalha em Dragon's Dogma

Batalha em Dragon’s Dogma: inimigos gigantes, confrontos épicos.

Um dos principais pontos de Dragon’s Dogma está exatamente na grandiosidade dos inimigos. Apesar de os ladrões e goblins não estarem presentes, você precisará pensar em estratégias diferenciadas para derrotar monstros como o ciclope e a quimera (e principalmente no começo do jogo, quando seu nível é baixo, e você por vezes precisa fugir para não morrer!).

Não basta disparar uma bola de fogo ou partir com a espada para cima dessas criaturas, você terá de procurar pontos fracos, analisar a movimetação.

Exemplos: A Hidra, cujo corpo possui uma resistência tão poderosa que nem mesmo a mais pesada das lâminas é capaz de perfurá-la. Para isso, você deve usar toda sua habilidade para escalar as escamas e atacá-la onde realmente mais dói: o pescoço. É claro que isso não será algo fácil, já que o inimigo vai tentar derrubá-lo a qualquer custo e você tem um tempo limitado para permanecer pendurado.

Outro é o caso dos golens, que tem espalhado pelo corpo várias pedras mágicas, e você tem que escalá-lo várias vezes para atingi-lo nestas pedras, até todas caírem e ele voltar a ser apenas um punhado de pedras soltas…

Dragão em ação: mire sempre no peito e boa sorte!

Dragão em ação: mire sempre no peito e boa sorte!

E nem quero comentar os dragões, cujo o único ponto fraco é o peito: não adianta bater em nenhum outro lugar, somente no peito! Agora, escale um dragão em pleno vôo, e tente atingir o peito dele em meio as chacoalhadas e chamas que ele solta! Boa sorte!

Esse ponto fraco, contudo, não é exclusividade dos chefes.

Corte o rabo dos lagartos e eles param de te atacar, derrube uma harpia, e ele fica indefesa, mate o Macho Alpha de uma alcateia, e todos fogem desorientados!!

E o melhor é quando vem tudo junto (uma luta com lobos gera uivos, e eles podem atrair uma quimera que esteja passando, e ai você vai ter mias dor de cabeça…

O lado ruim é que o jogo parece estar no modo “hard” no começo, pois até um simples ladrão pode matar você! É só quando você chegar ao nível 25 que você vai se sentir no mesmo patamar dos seus inimigos, e aí as lutas ficam cada vez melhores (O grifo e o feiticeiro na Torre da Lua Azul são lutas fenomenais!).

E some a tudo isso, suas escolhas morais, e a possibilidade de ser na verdade um vilão! Como?? Simples: escolhendo salvar ou não seus aliados!

Os “pawns” caem agonizantes durante as lutas por várias vezes (principalmente no começo do jogo), e aí você tem que decidir entre salvar seu parceiro em perigo, ou fugir para salvar sua própria vida! E quando os três parceiros estão agonizantes, o que fazer? Ou mesmo quando se encontra cheio que inimigos em volta? (a primeira missão já vai te dar um gostinho disto! Aquele calabouço cheio de esqueletos e vermes gigantes! Como eu sofri!)

Mas a grande escolha moral vai ser o que fazer com Mercedes (Ah, Mercedes!) quando você e ela encontrarem o dragão principal do jogo, e você descobrir quem é o grande vilão de verdade!

Esta reviravolta só te dá mais vontade de se preparar, se fortalecer, para se vingar (ou não, depende da escolha! Eu quis me vingar!) do verdadeiro arquiteto da desgraça no jogo!!

Mas isto, eu não vou contar! Hehehehe.

É, nem tudo são flores…

É, o jogo é ótimo! Mas… Também tem seus defeitos!

Mate o monstro gigante, torcendo para o cenário não entrar na frente.

Mate o monstro gigante, torcendo para o cenário não entrar na frente.

A parte mais atrativa dos combates de Dragon’s Dogma está exatamente na possibilidade de escalar os inimigos gigantescos para atacá-los de uma maneira diferenciada. Contudo, de que adianta tudo isso se você não consegue enxergar o que acontece? (Por que a câmera não vira? Por quêêêê???)

Por mais interessante que seja a ideia, ela não funciona como deveria, quando principalmente quando o cenário entra na frente da sua visão, e você não consegue ver o que está acontecendo! Subiu no dragão que está na floresta? Então se prepare para agir às cegas, já que as árvores vão impedir que você veja a posição de seu herói, atrapalhando todo o combate.

E, quando você cair, a luta para deixar a câmera em uma posição ideal vai ser uma angústia!

Até mesmo as batalhas com inimigos menores são prejudicadas, principalmente por conta da mira. O jogo não tem um sistema de lock-on para travar no oponente, então, basta uma alteração no ângulo, para você golpear contra o vazio (Droga! Onde está você seu maldito goblin! Volte aqui! Droga!).

Outro problema de Dragon’s Dogma (que é muito comum em jogos de mundo aberto, vide os “bugs” dos GTAs da vida), são os defeitos gráficos.

Cuidado nas batalhas: a chance de acertar nada é considerável

Cuidado nas batalhas: a chance de acertar nada é considerável

Manchas na tela ao entardecer, cores claras demais nas texturas cansam os olhos em alguns pontos. Outro ponto são os cortes na tela, que aparecem em cenas de mais ação, sempre que algo um pouco mais rápido aparece. A falta de sincronia entre voz e movimento facial (novelas mexicanas!), assim como a falta de polimento em alguns detalhes também mostram que a Capcom poderia ter caprichado um pouco mais nos detalhes.

Os cenários à noite são intransitáveis! Mesmo com as lanternas acesas, você sofre (e muito) para ver inimigos e obstáculos!

Isso sem falar quando, do nada, personagens pulam na sua cara sem o menor aviso prévio (De onde veio isto? Da pedra? Do ar? Materializou?).

O mesmo pode ser dito quando você consegue atravessar alguns objetos como se eles não existissem.

Se o escudo que entra em seu tórax e fica preso sem te causar dano, parece inofensivo, o mesmo não pode ser dito quando você simplesmente atravessa uma pedra, ou uma porta (Lince Negra!).

Outras pequenas falhas são os menus! Os vááários menus! Você tem dois ou três inventários de cada personagem, você, seu parceiro, e até dos peões que você contrata! E cada um entra numa tela diferente, e demora para se acostumar!

As conversas na tela são até interessantes, mas algumas coisas são desnecessárias. Por que dizer que o rio está sujo se não vamos passar por ele?

Mas o que mais incomoda é a inteligência artificial do jogo. Seus peões são bons até certo ponto, mas tem horas que você iria preferir não tê-los. Dê itens de cura para eles antes das batalhas, e eles usarão tudo antes da luta começar! Mande eles ficarem por perto, e um ou outro vai sair correndo sem pensar no perigo (Pelo amor de DEUS! Não corra na direção do troll! Nãooo! Droga, tarde demais!).

Ou se não, como eu disse no começo, veja um de seus parceiros saltarem de um penhasco atrás de um inimigo que já caiu! São erros chatos, falhas bobas, falta de esmero da Capcom, mas que no geral não vão atrapalhar tanto toda a jogabilidade e emoção do jogo!

Party de Dragon's Dogma

[Sessão da Tarde]: Uma galerinha do barulho, aprontando todas em um mundo muito louco, cheio de aventuras!

Será que vale a pena?

Com total certeza SIM! Vale e muito a pena!

Dragon’s Dogma é daqueles jogos voltados especialmente para quem gosta de RPGs, mas tem potencial e enredo para atrair novos jogadores. O game melhora alguns elementos já existentes em jogos do gênero, acrescenta detalhes e inovações importantes, mas ainda sim, deixa aquela velha nostalgia de voltar para casa depois de um dia de caça com a cabeça de um dragão nas costas!

Os combates fluem muito bem, a história é envolvente, as missões são divertidas, e os chefes são realmente difíceis como chefes devem ser, o que torna tudo empolgante. Subir nas costas de um dragão, enquanto ele está voando, é espetacular!

Os defeitos até incomodam um pouco, mas a Capcom já anunciou Dragons Dogma 2, e com certeza vai arrumar todas estas falhas!

Isto tudo sem contar que o final da missão linear principal do jogo é fantástica! Um dos melhores finais que eu já vi e joguei. Um final digno de cinema!!

Dragons Dogma é o tipo de jogo para ser vivenciado em cada detalhe, e não só jogado!