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Resenha | Warm Up TDKR – Batman de Christopher Nolan

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Batman Begins (2005)

Oito anos se passaram e juntos a esta quase década as esperanças de que o temido cavaleiro das trevas ficasse sem uma adaptação
que lhe rendesse a fama angariada nos quadrinhos se esvaiam aos poucos. Nomes passaram além de muitas variações de roteiros, mas a equipe final formada dava as caras de ser definitiva logo na sua escalação. Christopher Nolan fora nomeado para a direção além do escritor David S. Goyer, que levantou o universo Marvel com os descompromissados filmes da franquia Blade, e transformou este capítulo da nova saga do Homem-Morcego em algo mais desapegado ao fantasioso universo dos quadrinhos e dos filmes anteriores.

Bruce Wayne cresce como um jovem que apesar de abastado, é traumatizado pela morte violenta de seus pais no qual testemunhou em sua infância ganhando então um guia que canaliza sua raiva e angústia contra a escória residente no mundo. Mas para desempenhar o papel do vigilante protetor da corrupta Gotham City, Wayne encarna o papel do personagem Batman, um simbolo no qual gerou de seus próprios medos e receios vindos de seus traumas passados visando impor o terror naqueles que ameaçam a paz, a justiça e a vida de inocentes. Mas algo que o acompanhou no passado volta a sua realidade para assombrar as ruas de Gotham.

Um erro costumeiro cometido por todos os antecessores de Nolan ao desenvolver o personagem central certamente foi a maneira como trataram sua origem. Nenhum personagem, seja fictício ou real, é capaz de mudar tanto suas ideologias além dos conceitos de certo e errado do dia para a noite. Um segundo ponto muito importante de salientar é de que Nolan e cia exploraram justamente algo que foi pouco utilizado no universo dos quadrinhos. A Longa ausência de Wayne antes ao seu retorno a Gotham como o vigilante mascarado sedento por justiça. E devido a longa exposição de tudo que foi ruim para a saga do Homem-Morcego ao longo das duas últimas décadas, devemos reconhecer que a aproximação não só por parte da produção, mas como também da divulgação, apostou em algo mais minimalista que detivesse a atenção de todos mas sem gerar  imensas expectativas como antes ocorrera. O que podemos detectar até mesmo no longa, onde seu início se dá de maneira simples porem objetiva, é a ausência de tomadas homéricas  ou logotipia ostentosa conforme os prévios exemplos a este. Sempre deixando as esperanças do público a um nível aceitável para que esta nova investida os mantivesse cativos conforme o desenrolar de sua narrativa.

Se em toda estratégia antes e durante a Batman Begins foi um acerto, como não prestar atenção em um elenco que representasse a cerne deste novo início? Christian Bale provou ser a fonte de determinação por trás de Bruce Wayne e Batman, uma escolha sábia de alguém que leva não só a sério o personagem envolvido mas como também a própria carreira. Como não acreditar na figura paterna de Alfred? O Mordomo e protetor de seu “Mestre Bruce”  que nos permitiu observar todas as nuances da atuação do britânico e veterano em Hollywood Michael Caine, no qual inseriu uma sensibilidade muito necessária não só para o seu próprio papel mas para com o desenvolvimento de Bruce Wayne e suas motivações.

Ainda no elenco, Gary Oldman nos oferece mais um personagem que difere de todos os demais realizados em sua carreira e que desempenha algo tão importante quanto Caine ou Bale. Liam Neeson fica com uma das tarefas mais difíceis do roteiro. A de estabelecer a fusão de dois personagens em uma unica pessoa, Henry Ducard e Rha’s Al Ghul, comprovando a excelente capacidade de adaptação desta equipe. Complementando ainda contamos com Morgan Freeman como Lucius Fox, consultor e escudeiro de Wayne dentro de sua própria empresa e Katie Holmes como a futura promotora de justiça de Gotham Rachel Dawes, que a princípio é obviamente menos talentosa que seus colegas escalados, mas que cumpre o seu papel afinal de contas. O elenco ainda conta com participações menores mas efetivas de Cillian Murphy (Dr. Jonathan Crane/Espantalho), Tom Wilkenson (Falconi), Rutger Hauer e Ken Watanabe.

Se a parte humana não dispensou talento e recursos, as equipes de produção e pós produção também levaram seus trabalhos muito a sério. O longa é muito detalhista até mesmo com a confecção e objetividade do traje do Homem-Morcego, o que nos faz lembrar de suas outras incríveis  ferramentas de combate ao crime que inclui itens como o cinto de utilidades, armas brancas além do tão esperado visual do batmóvel, redefinido como um veículo de assalto totalmente funcional, respeitando e muito certos aspectos da fonte original dos contos do “detetive”. A Fotografia(Wally Pfister) e efeitos visuais estão presentes com o único objetivo de narrar uma história digna do cavaleiro das Trevas. A trilha marcante é responsabilidade dos gigantes Hans Zimmer e James Newton Howard dando o compasso e o tom épico crescente a cada frame da película. Enfim uma máquina onde todas as suas engrenagens se encaixam cada qual fazendo o seu devido papel dentro de um grande todo.

Nota: 8,5 de 10

Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)

Dado o chute inicial em 2005, esta nova premissa não perderia mais tempo desenvolvendo o personagem central no qual lhe foi dedicado mais de duas horas.

O cavaleiro das Trevas golpeia o crime ferozmente tornando-se uma inspiração para muitos mas que por consequência, obriga a máfia e demais criminosos a dar uma nova escalada em seu reinado, apostando todas suas fichas na liderança pelas mãos do lunático apenas conhecido como o Coringa.Enquanto Batman age sob o manto da noite e por fora da lei, o promotor Harvey Dent, ao lado de Rachel Dawes, lutam para mater o crime organizado atrás das grades.  Bruce Wayne cede às esperanças de que um dia Gotham não necessite mais do símbolo do Homem-Morcego colocando o destino da cidade nas mãos de Dent, sentindo que a cada dia, sua amada Rachel se distancia mais e mais.

Mas sua nova guerra agora envolve seu mais novo e formidável oponente, O Coringa, cuja psicopatia o obriga a montar uma nova força tarefa com a equipe policial de Jim Gordon, e os laços burocráticos do correto Harvey Dent por trás dos braços da Lei. O que Batman não sabe, é que para enfrentar um inimigo sem propósito, muitos sacrifícios serão feitos.

Toda a equipe de Batman Begins por detrás das câmeras retorna e o mais novo roteiro de David S. Goyer é adaptado pelo próprio Christopher Nolan aliado ao seu irmão, Jonathan Nolan.

As novidades no elenco estão a cargo de Heath Ledger (Coringa), Aaron Eckhart (Harvey Dent/Duas Caras) e por fim a talentosa Maggie Gyllenhal que substituiu Katie Holmes no papel de Rachel Dawes.

A trama mostra de maneira inteligente como este universo evoluiu graças a atuação de Batman em Gotham City, e de maneira gradativa constrói uma história em cima das consequências de tais atitudes. O finado Heath Ledger se encontra totalmente entregue ao papel no qual grande parte foi de sua própria autoria e que ainda lhe rendeu uma estatueta do Oscar póstuma por uma atuação marcante na pele do psicopata Coringa e sua versão definitiva do personagem somente cabível em algo tão épico quanto a própria franquia. Uma história densa onde sempre permuta a aura de suspense dentro de algo que muitos definem como sendo do gênero policial. Hans Zimmer colabora com o clima nervoso ao explorar diferentes direções musicais que miram diretamente nas entranhas dos expectadores nervosos. Nervos, que diga-se de passagem, são transmitido de maneira eficaz não somente por Bale, Oldman, Eckhart ou Gyllenhaal, mas por todo o elenco escalado que podemos definir como 100% de acerto em cada convocação. O coração apertado de Michael Caine, o desafio a ética de Morgan Freeman, os temores de Christian Bale contam com cada nuance impressa em película.

Apesar de sacrificar um dos personagens importantes em nome de uma trama coesa e do desenvolvimento dos demais, Nolan elevou o gênero a um novo patamar onde poucos poderão ser levados pelo mesmo caminho provando sim, que histórias em quadrinhos podem ser levadas a sério, e muito mais ainda, levadas como uma verdadeira forma de arte, sendo esta capaz de até mesmo chamar a atenção da academia com o prêmio máximo entregue a Heath Ledger e sua espetacular versão do Coringa.  Se os tempos difíceis e desesperadores voltarem mesmo para o Homem-Morcego estaremos aqui, plantados, esperando somente uma coisa. Que o Cavaleiro das Trevas Ressurja!

Ainda nesta semana Podcast especial sobre toda a franquia Batman nos cinemas em nossa nova casa: http://grandecoisa.com.br/

Até lá!

Nota: 9,5 de 10